Ibaneis: “Greve dos ônibus é criminosa”; professores vão repor aulas

Na manhã desta sexta-feira (14/06/2019), sem transporte público, brasilienses enfrentaram um calvário para chegar ao trabalho

JP Rodrigues/MetrópolesJP Rodrigues/Metrópoles

atualizado 15/06/2019 17:43

O governador Ibaneis Rocha (MDB) classificou a greve dos rodoviários como “criminosa”. Motoristas e cobradores pararam 100% das atividades nesta sexta-feira (14/06/2019), deixando milhares de passageiros reféns do transporte pirata. Os trabalhadores das empresas de ônibus decidiram aderir à greve geral, deflagrada no país inteiro. A mobilização nacional é contra a reforma da Previdência e os cortes nas verbas da Educação.

“Foram paralisações criminosas, no meu ponto de vista”, ressaltou o governador. Ibaneis fez a declaração depois de se reunir com o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Durante o encontro, o chefe do Executivo local pediu apoio à construção do Hospital do Câncer no DF.

Já sobre a situação de professores e outras categorias que também cruzaram os braços, o chefe do Executivo local foi mais cauteloso e disse que fará uma avaliação dos reflexos para a população antes de se pronunciar.

Se o balanço indicar “prejuízos injustificados ao povo”, pode haver corte de ponto. Por sua vez, o secretário de Educação, Rafael Parente, anunciou, pelo Facebook, que os educadores que aderiram à greve terão de repor aulas, não podendo ser “aos domingos e feriados”. Como os estudantes têm atividades de segunda a sexta-feira, terão de ir à escola em algum sábado, ainda neste primeiro semestre.

O Sindicato dos Professores (Sinpro) calcula que 70% das escolas da rede ficaram fechadas nesta sexta (14/06/2019).

Calvário

Na manhã desta sexta-feira (14/06/2019), o brasiliense enfrentou um verdadeiro calvário para conseguir chegar ao trabalho. Com diversos serviços suspensos em razão da greve geral, quem precisou se locomover na capital do país teve de improvisar. Uma das alternativas foi o transporte pirata. Na Rodoviária do Plano Piloto, as vans clandestinas fizeram fila para desembarcar passageiros. Nas paradas de ônibus de diversas regiões administrativas, os piratas eram os únicos meios de condução para quem não tem carro.

Com a frota de ônibus 100% parada, muita gente decidiu tirar os veículos da garagem. O que se viu foram imagens atípicas: engarrafamentos quilométricos antes das 6h nas principais vias do DF.

As paradas de ônibus da W3 sul amanheceram vazias. A copeira Maria José Costa, 63 anos, disse que a empresa onde trabalha disponibilizou transporte particular para levar os funcionários até o serviço. “Eles combinaram que viríamos até a W3 e, depois, um motorista nos levaria ao trabalho. Consegui pegar o metrô, mas não estamos vendo nenhum ônibus rodando”, contou a copeira.

Já o serralheiro Marcelo Torres, 27, chegou à Rodoviária do Plano Piloto por volta das 6h40. “Vim de Ceilândia de metrô e, agora, vou ter que ir de pirata até o meu destino final. A greve é legítima para garantir direitos, mas sempre atrapalha a vida dos menos favorecidos. É complicado porque temos de trabalhar”, queixa-se.

Por sua vez, a doméstica Edileuza Martins, 36, saiu de Padre Bernardo (GO) às 4h30 para chegar a seu trabalho, no Guará, às 7h. “Como fui avisada da greve e não posso perder o serviço, me preveni e saí mais cedo, pois estava com medo de não conseguir chegar. Os ônibus no Entorno estão rodando normalmente. Cheguei até a Rodoviária e, agora, vou de pirata.”

Protestos

Em protesto contra os cortes nas verbas das universidades, estudantes fecharam a Via L2 Norte, na altura da Universidade de Brasília (UnB) . Os participantes também se manifestam contra a reforma da Previdência, pauta da greve geral. Munidos de faixas, megafones e bandeiras, eles interromperam o trânsito por alguns minutos.

Na altura do Km 12 da BR-070, cerca de 40 manifestantes também protestaram fechando a passagem dos veículos. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) acompanhou o ato até a dispersão do grupo, que ocorreu por volta das 8h45.

No país inteiro, o ato convocado como forma de protesto à reforma da Previdência recebeu uma série de liminares expedidas pela Justiça, determinando a manutenção integral ou parcial dos serviços. No entanto, algumas categorias não vão cumprir as decisões judiciais.

É o caso dos rodoviários. Eles decidiram parar e não seguir a liminar do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de manter toda a frota rodando. A multa por descumprimento é de R$ 100 mil por empresa afetada; mas, em conversas em grupo de WhatsApp da categoria às quais o Metrópoles teve acesso, a orientação dos dirigentes é que os trabalhadores permaneçam em casa.

Para impedir que motoristas e cobradores furem a greve, representantes do Sindicato dos Rodoviários disseram que estarão na porta das garagens das empresas para garantir que nem um ônibus saia.

 

Segundo dados do Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans), existem hoje no DF 2.816 ônibus: 213 articulados, 52 do tipo “padron” (aqueles que, além das portas dianteira e traseira, têm uma central), 2.166 alongados e 385 miniônibus/micro-ônibus. Somente como usuários do Bilhete Único, há 1,5 milhão de passageiros cadastrados nas 833 linhas de ônibus do Distrito Federal.

Metrô

Com uma greve que já dura 46 dias, os metroviários decidiram manter o esquema em vigor nas últimas semanas: 75% do efetivo nos horários de pico e 30% nas demais horas do dia. O TRT determinou que ao menos 40% dos servidores estejam em atividade, mas o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários do DF (Sindmetrô) informou não ter sido notificado da decisão emitida nessa quinta (13/06/2019).

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Greve dos metroviários

 

Bancos

O Sindicato dos Bancários aderiu ao movimento grevista. De acordo com a assessoria de imprensa da entidade, agências de todos os bancos permanecerão fechadas nesta sexta (14/06/2019). Os terminais de autoatendimento e as casas lotéricas funcionarão normalmente.

Saúde e segurança

Médicos, enfermeiros, auxiliares de saúde, policiais federais, militares e civis optaram, até o momento, por não participar do movimento.

Servidores federais

A Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condisef), que representa 80% dos 625 mil servidores federais, além de aposentados e pensionistas, decidiu participar da greve.

“Nossa base aprovou. Formalizamos ofício junto ao Ministério da Economia informando a paralisação. Vamos lutar pelo fim do desmonte do serviço público. Somos contra a liquidação das empresas públicas e contra essa reforma, que acaba com a nossa aposentadoria”, afirmou o secretário-geral da Condisef, Sérgio Ronaldo da Silva.

Outros serviços

Param também os funcionários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), inviabilizando a abertura de postos de atendimento espalhados pelas regiões administrativas.

Servidores do Na Hora, do Departamento de Trânsito (Detran-DF), da Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb), entre outros, também prometem não ir às unidades de trabalho. O mesmo se aplica a servidores de ministérios, autarquias, fundações e outros órgãos e entidades vinculados ao governo federal.

Funcionários do Zoológico manifestaram-se a favor da greve, mas a assessoria de imprensa da fundação garantiu o funcionamento.

O Sindicato dos Servidores Públicos Civis da Administração Direta, Autarquias, Fundações e Tribunal de Contas do DF (Sindireta) votou por participar da greve geral. Com a adesão, ficam parados ainda a Defensoria Pública, a Procuradoria-Geral do DF e o Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans).

Limpeza urbana

O juiz Antônio Umberto de Souza Júnior, do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10), determinou que a coleta de lixo no Distrito Federal seja mantida com pelo menos 50% dos trabalhadores da área durante a greve geral marcada para esta sexta-feira (14/06/2019).

No caso de lixo hospitalar, o serviço deverá ser realizado por 100% do efetivo. Se a decisão for descumprida, o sindicato que representa a categoria está sujeito ao pagamento de multa de R$ 200 mil.

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