Sem máscara, Bolsonaro cumprimenta apoiadores na Esplanada
Presidente sobrevoou a Praça dos Três Poderes e depois se aproximou dos manifestantes, causando mais aglomeração

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltaram às ruas de Brasília, neste domingo (24/05), após a divulgação de vídeos da reunião ministerial, ocorrida no dia 22 de abril.
Por volta das 11h20, o presidente, o general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, e o deputado federal Hélio Lopes embarcaram em um helicóptero no Palácio da Alvorada e desembarcaram na Esplanada.
https://youtu.be/kh3krRCSjZI
Ao meio-dia, Bolsonaro começou a percorrer um trajeto a pé para cumprimentar os apoiadores. Estava cercado de seguranças, ministros e deputados. Antes de cumprimentar os manifestantes, incluindo crianças, o presidente disse algumas palavras em vídeo publicado em suas redes sociais.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DF“Mais uma manifestação espontânea do povo. Pela democracia, pela liberdade. Pessoas realmente querendo que o Brasil vá pra frente. Liberdade acima de tudo. Valeu, pessoal”, falou. Bolsonaro não discursou e saiu por volta das 12h40, retornando ao Palácio da Alvorada.
Ostentando bandeiras do Brasil e faixas com mensagens que enalteciam o presidente, os manifestantes saíram em carreata e se concentraram na Praça dos Três Poderes. A Polícia Militar acompanhou a manifestação.
Muitos apoiadores não usaram a máscara de proteção recomendada pelas autoridades de saúde. O uso do item que evita a propagação do novo coronavírus se tornou obrigatório no Distrito Federal e a multa pode chegar a R$ 2 mil.
O presidente chegou de máscara, mas a retirou enquanto acenava e cumprimentava os apoiadores na Praça dos Três Poderes, provocando aglomeração. Entre as placas que os manifestantes seguram, algumas frases como: “Supremo é povo” e “Guedes tem razão”, em referência ao ministro da Economia,Paulo Guedes.
Mais uma vez, o protesto defendeu o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e a renúncia do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que foi acusado de conspirar contra o governo. Além disso, alguns manifestantes pediram uma intervenção militar com Bolsonaro no poder.
Os apoiadores defenderam ainda a reabertura do comércio e a volta à normalidade. E reclamaram de perdas para a economia durante o distanciamento social.
Com camisas amarelas, bandeiras do Brasil e rojões, gritaram: “Basta de ditadura do STF”.
Antes de cumprimentar os manifestantes, o presidente sobrevoou a Esplanada e postou em suas redes sociais a imagem feita de cima. Mais cedo, o presidente citou, nas redes sociais, a Lei de Abuso de Autoridade para atacar a divulgação dos vídeos da reunião ministerial.
https://www.facebook.com/jairmessias.bolsonaro/videos/273091827149970/
https://youtu.be/ase2jtQhhpo
Entenda o caso
Bolsonaro é alvo de um inquérito que também envolve o ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. O ex-ministro deixou o pasta no dia 24 de abril acusando o presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal.
Segundo ele, Bolsonaro não só queria indicar alguém de “sua confiança” tanto para a diretoria-geral da PF quanto para as superintendências estaduais, como também queria “relatórios de inteligência” da corporação.

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Ver todasEntre os elementos que, segundo o ex-juiz, provavam suas alegações, estava justamente o vídeo desta reunião ministerial. As imagens foram entregues pela Advocacia-Geral da União (AGU) ao Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de um inquérito que apura as alegações de Moro, mas permaneciam, até então, em sigilo.
No último dia 12, o ex-ministro, seus advogados, representantes do governo federal, da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), assistiram ao vídeo juntos, em sessão reservada. O ministro do STF Celso de Mello atendeu ao pedido de Moro, que defendia o levantamento integral do sigilo. As imagens foram divulgadas na sexta (22/05).
O pedido de busca e apreensão do celular de Bolsonaro para investigações que apuram suposta interferência política do presidente na Polícia Federal foi ironizado durante a manifestação. “E o celular do Adélio?” perguntaram alguns manifestantes, em diversas faixas. Uma referência a Adélio Bispo, autor da facada no presidente durante a campanha eleitoral de 2018. Ele está preso.
Veja os vídeos da reunião ministerial liberados pelo STF:


















