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Política

Bolsonaro temia operação contra filhos e admite que pediu atuação de Moro

Por uma hora, em frente ao Alvorada, presidente comentou conteúdo do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, divulgado nesta 6ª

22/05/2020 23:12, atualizado 23/05/2020 00:06
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Igo Estrela/Metrópoles
Foto de jair Bolsonaro, com imagens sobrepostas dele

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) admitiu na noite desta sexta-feira (22/05) que temia a deflagração de uma operação de busca e apreensão contra seus filhos e admitiu que pediu para que o então ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, não deixasse o chefe do Executivo ser “chantageado”.

Bolsonaro deu a declaração na portaria do Palácio da Alvorada, onde cumprimentou apoiadores rapidamente e falou para a imprensa por uma hora.

“O tempo todo vivendo sob tensão, possibilidade de busca e apreensão na casa de filho meu, onde provas seriam plantadas. Levantei isso, graças a Deus tenho amigos policiais civis e policiais militares do Rio de Janeiro, que isso tava sendo armado pra cima de mim”, disse o presidente, que acrescentou o que teria dito ao agora ex-ministro: “Moro, eu não quero que me blinde, mas você tem a missão de não deixar eu ser chantageado”.

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Bolsonaro quando sofreu o atentado, em 2018
Presidente e primeira-dama do país, Michelle Bolsonaro, no dia da posse
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Bolsonaro quando sofreu o atentado, em 2018
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Presidente e primeira-dama do país, Michelle Bolsonaro, no dia da posse
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Presidente e primeira-dama do país, Michelle Bolsonaro, no dia da posse

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Myke Sena/ especial para o Metrópoles
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Alan Santos/PR

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), um dos filhos do presidente, é investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro no âmbito de um inquérito que apura a suspeita de um esquema conhecido por “rachadinha”, onde servidores devolvem partes de seus salários aos empregadores para desvio de recurso público. A suspeita é de que o esquema funcionava no gabinete de Flávio, à época em que ainda era deputado estadual.

“É obrigação dele me defender, não é me defender de corrupção, de dinheiro encontrado no exterior, é defender o presidente para que eu possa ter paz”, continuou.

“Vá plantar coquinho”
Ainda durante a fala à imprensa, Bolsonaro relembrou o dia 24 de abril, em Moro anunciou que deixaria o governo, afirmando que o presidente teria tentado interferir politicamente na Polícia Federal ao decidir demitir o ex-diretor-geral da corporação Maurício Valeixo.

No mesmo dia em que pediu demissão fazendo acusações ao presidente, o ex-ministro exibiu ao Jornal Nacional, da TV Globo, uma troca de mensagens entre ele e Bolsonaro e também com a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP).

Na troca de mensagens com a parlamentar, Zambelli propõe a Moro que aceite a mudança na PF e, em troca, seja nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal. Em resposta, Moro diz: “Prezada, não estou à venda”.

“Lamento, mais uma vez, a forma como senhor Sergio Moro saiu atirando, saiu numa coletiva, onde se demitiu, pegou o seu celular e vai entregar para o [jornalista, William] Bonner da TV Globo e bota lá também prints de uma conversa com uma senhora […] que trocou informações com ele, onde ele classicamente, né: ‘Não estou à venda’. Ah, vá plantar coquinho”, disparou o presidente.