Bolsonaro temia operação contra filhos e admite que pediu atuação de Moro

Por uma hora, em frente ao Alvorada, presidente comentou conteúdo do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, divulgado nesta 6ª

Foto de jair Bolsonaro, com imagens sobrepostas deleIgo Estrela/Metrópoles

atualizado 23/05/2020 0:06

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) admitiu na noite desta sexta-feira (22/05) que temia a deflagração de uma operação de busca e apreensão contra seus filhos e admitiu que pediu para que o então ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, não deixasse o chefe do Executivo ser “chantageado”.

Bolsonaro deu a declaração na portaria do Palácio da Alvorada, onde cumprimentou apoiadores rapidamente e falou para a imprensa por uma hora.

“O tempo todo vivendo sob tensão, possibilidade de busca e apreensão na casa de filho meu, onde provas seriam plantadas. Levantei isso, graças a Deus tenho amigos policiais civis e policiais militares do Rio de Janeiro, que isso tava sendo armado pra cima de mim”, disse o presidente, que acrescentou o que teria dito ao agora ex-ministro: “Moro, eu não quero que me blinde, mas você tem a missão de não deixar eu ser chantageado”.

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O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), um dos filhos do presidente, é investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro no âmbito de um inquérito que apura a suspeita de um esquema conhecido por “rachadinha”, onde servidores devolvem partes de seus salários aos empregadores para desvio de recurso público. A suspeita é de que o esquema funcionava no gabinete de Flávio, à época em que ainda era deputado estadual.

“É obrigação dele me defender, não é me defender de corrupção, de dinheiro encontrado no exterior, é defender o presidente para que eu possa ter paz”, continuou.

“Vá plantar coquinho”
Ainda durante a fala à imprensa, Bolsonaro relembrou o dia 24 de abril, em Moro anunciou que deixaria o governo, afirmando que o presidente teria tentado interferir politicamente na Polícia Federal ao decidir demitir o ex-diretor-geral da corporação Maurício Valeixo.

No mesmo dia em que pediu demissão fazendo acusações ao presidente, o ex-ministro exibiu ao Jornal Nacional, da TV Globo, uma troca de mensagens entre ele e Bolsonaro e também com a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP).

Na troca de mensagens com a parlamentar, Zambelli propõe a Moro que aceite a mudança na PF e, em troca, seja nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal. Em resposta, Moro diz: “Prezada, não estou à venda”.

“Lamento, mais uma vez, a forma como senhor Sergio Moro saiu atirando, saiu numa coletiva, onde se demitiu, pegou o seu celular e vai entregar para o [jornalista, William] Bonner da TV Globo e bota lá também prints de uma conversa com uma senhora […] que trocou informações com ele, onde ele classicamente, né: ‘Não estou à venda’. Ah, vá plantar coquinho”, disparou o presidente.

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