Mario Sabino

Flávio Bolsonaro deve muito a Toffoli; é amigo do amigo de seu pai

Flávio Bolsonaro, pré-candidato do bolsonarismo, foi aconselhado a deixar o envolvimento de Toffoli com o Master para lá. Reavivaria memória

atualizado

metropoles.com

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Dias Toffoli com Jair Bolsonaro -- Metrópoles
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Flávio Bolsonaro tem um problema: ele deve a sua sobrevivência política a Dias Toffoli. É amigo do amigo de seu pai.

O pré-candidato oficial do bolsonarismo até assinou um pedido de impeachment do ministro, não teve jeito, mas foi aconselhado a deixar o envolvimento de Toffoli com o Banco Master para lá. Reavivaria memórias, além de ferir a suscetibilidade do seu benfeitor.

Brasileiros esquecem tudo rapidamente antes mesmo de aprenderem alguma coisa, mas executo aqui o meu trabalho de Sísifo, porque também sou pago para rolar montanha acima a magnífica história dos nossos homens públicos.

Muito bem, eu ia dizendo que Flávio Bolsonaro foi salvo por Toffoli. Aconteceu em julho de 2019, quando o pai do moço estava ainda no início do mandato presidencial, e o filho mais velho era a sua maior fonte de problemas, enrolado que estava por causa das rachadinhas.

O MP do Rio de Janeiro havia investigado Flávio, no cargo de deputado estadual, a partir de um relatório do Coaf de 2018, que atestou movimentações atípicas de R$ 1,2 milhão de reais na conta do seu ex-assessor Fabrício Queiroz, nos dois anos imediatamente anteriores.

Confusão jurídico-política armada, o então presidente do STF, o nosso estimável Toffoli, atendeu diretamente a um pedido da defesa de Flávio e determinou a suspensão de todas as investigações e processos que usassem dados sigilosos, bancários e fiscais, compartilhados por Coaf, Receita Federal ou Banco Central sem autorização judicial prévia.

Sempre muito sutil nas suas decisões imparciais, Toffoli paralisou, assim, o inquérito contra as rachadinhas do filho do então presidente, assim como centenas de outras investigações anticorrupção país afora, inclusive as da Lava Jato.

O caso de Flávio só voltou a andar no final de 2019, quando o STF modulou a decisão de Toffoli. Mas aí a defesa dele já havia tido tempo de, digamos, organizar o espetáculo.

A cronologia da impunidade teve sequência exemplar: Flávio foi denunciado em 2020; um ano depois, o STJ anulou todos os atos da primeira instância no Rio, visto que ele, como deputado estadual, tinha foro privilegiado na época dos fatos.

Ato contínuo, a Segunda Turma do STF anulou quatro dos cinco relatórios do Coaf usados contra Flávio, bem como todas as provas decorrentes. O relator Gilmar Mendes apontou que havia ocorrido compartilhamento ilegal.

O MP do Rio de Janeiro pediu arquivamento do caso por falta de provas viáveis, e o TJ do estado arquivou a denúncia sem julgar o mérito. Em 2025, por fim, o STF negou recurso para que o processo fosse reaberto.

Toffoli foi bom companheiro de Flávio, ninguém pode negar, e não se paga com ingratidão a mão que ele deu ao filho mais velho do amigão Jair Bolsonaro. Graças ao ministro, Flávio poderá ser candidato ao Palácio do Planalto em 2026.

Recentemente, o moço falou a uma plateia formada pelo pessoal da Faria Lima, em evento organizado pelo BTG Pactual, do reto e vertical André Esteves.

Flavio fez como todos aqueles que são convidados a ajudar essa gente do mercado financeiro a passar o tempo: disse o que ela gosta de ouvir a respeito daquelas reformas que nenhum político de qualquer ideologia fará se chegar ao Planalto.

Sobre o Banco Master, bem, vamos deixar essa história para lá, por favor, porque o Brasil já perdeu tempo demais.

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