
Mario SabinoColunas

Toffoli, os R$ 35 milhões para o Tayayá e a volta do assessor
Como há uma avalanche de notícias que o colocam em posição difícil, Toffoli agora tem um assessor para tentar conter jornalistas
atualizado
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No celular de Daniel Vorcaro, há conversas dele com o seu cunhado e operador, Fabiano Zettel, que dão conta de que o dono do Banco Master foi cobrado por uma terceira pessoa para fazer aportes ao fundo de investimentos que comprou a participação de Dias Toffoli no resort Tayayá.
A compra foi realizada por meio de triangulação com outro fundo — em ambos, direta ou indiretamente, Zettel é o único cotista. Total da bufunfa: R$ 35 milhões.
Baseados em extratos, os repórteres Luiz Vassallo e Aguirre Talento publicaram que as datas dos aportes que totalizaram essa quantia batem com as das mensagens encontradas no celular de Vorcaro que mencionam a necessidade de transferir o dinheiro.
Eles revelaram também que o último aporte, de R$ 14,5 milhões, foi feito ao fundo pouco antes de Dias Toffoli deixar de ser formalmente sócio do Tayayá.
Até a reportagem ser publicada, a notícia era a de que Zettel havia gasto R$ 3,3 milhões para comprar uma parte do resort. Agora, sabe-se que R$ 35 milhões foram injetados no Tayayá. Dez vezes mais, portanto.
Toffoli continua a negar que tenha levado uma bufunfa desse tamanho e a dizer que todas as suas transações comerciais envolvendo o Tayayá foram limpas e declaradas à Receita.
O ministro afirma ainda que nunca foi próximo de Vorcaro, embora no celular do dono do Banco Master conste um convite de Toffoli para Vorcaro ir à sua festa de aniversário e quatro ligações telefônicas entre ambos.
Como há uma avalanche de notícias que o colocam em posição cada vez mais difícil, o ministro agora tem um assessor para tentar conter jornalistas.
É o consultor Márcio Aith, secretário de Comunicação do STF quando Toffoli era presidente da corte.
Ex-jornalista de redação (foi meu colega de revista Veja), é atual colunista do site Poder360, que publicou as falas de integrantes do STF na reunião para discutir a permanência de Toffoli à frente do inquérito que investiga o Banco Master. Aith tem grande influência sobre o ministro e apoiou a abertura, de ofício, do inquérito das fake news, um dos feitos de Toffoli na presidência da corte.
No âmbito do inquérito, o relator Alexandre de Moraes impôs a censura à Crusoé e me obrigou a depor na PF por ter publicado reportagem verdadeira, baseada em prova documental.
Os repórteres que, a partir de agora, publicarem notícias negativas sobre Dias Toffoli podem esperar respostas truculentas.