Saiba quem é o desembargador afastado por decisões suspeitas sobre a Refit
Magistrado havia sido afastado por decisões consideradas excessivamente favoráveis a Refit envolvendo a "máfia dos combustíveis"

Alvo da Operação Sem Refino, da Polícia Federal, o desembargador Guaraci de Campos Vianna estava afastado do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) desde março, devido a decisões suspeitas envolvendo o processo de recuperação judicial da Refit.
A força-tarefa, deflagrada nesta sexta-feira (15/5), investiga um suposto esquema bilionário envolvendo o grupo Refit, antigo nome da Refinaria de Manguinhos.
O Grupo Refit, comandado pelo empresário Ricardo Magro, é apontado pela Receita Federal como um dos maiores devedores tributários do país, acumulando dívidas superiores a R$ 26 bilhões. Magro também foi alvo da investigação.
Guaraci de Campos Vianna, integrante da 6ª Câmara de Direito Privado do TJRJ, já havia surgido anteriormente nas investigações.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Manoela AlcântaraEm março, a Corregedoria Nacional de Justiça determinou o afastamento imediato do desembargador após suspeitas de decisões consideradas excessivamente favoráveis ao grupo Refit.
O caso está relacionado à recuperação judicial da empresa no âmbito da Operação Carbono Oculto.
A operação mirava o combate a fraudes fiscais, adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro no setor, com indícios de infiltração da facção PCC e estimativa de sonegação superior a R$ 7,6 bilhões.
“No curso do processo, o magistrado determinou a realização de perícia técnica de elevada complexidade e nomeou empresa pericial sob impugnação de parcialidade formulada pela União — em razão de vínculos anteriores do expert com a recuperanda”, disse o CNJ à época do afastamento.
Alvos de operação da PF
A Polícia Federal realizou, nesta sexta-feira (15/5), a Operação Sem Refino, deflagrada para apurar a atuação de um conglomerado econômico do ramo de combustíveis suspeito de usar estrutura societária e financeira para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior.
Ao todo, são 17 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos, está o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro. A autorização é do ministro Alexandre de Moraes.
Em nota, a defesa de Castro afirma que foi surpreendida com a operação desta sexta, mas ressaltou que o ex-governador “está à disposição da Justiça para dar todas as explicações convicto de sua lisura”.
Além de Castro, o empresário e dono do Grupo Refit, Ricardo Magro, também foi alvo da operação e recebeu mandado de prisão preventiva. Magro mora em Miami (EUA). Por causa disso, a PF incluiu seu nome na Difusão Vermelha da Interpol.
A operação também investiga o desembargador Guaraci de Campos Vianna, integrante da 6ª Câmara de Direito Privado do TJRJ, o ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual e o ex-procurador do Estado Renan Saad.
As investigações apuram possíveis fraudes fiscais, ocultação patrimonial e inconsistências relacionadas à operação de refinaria vinculada ao grupo.
Os 17 mandados de busca e apreensão e as sete medidas de afastamento de função pública ocorrem no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal.
A Justiça ainda determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas.
As buscas e medidas ocorrem em meio a apurações conduzidas pela PF no âmbito da ADPF nº 635/RJ, a chamada ADPF das Favelas. A operação contou com apoio técnico da Receita Federal do Brasil.










