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Brasil

Ramagem explica foto em piscina com políticos e alvo do caso INSS

Foto de 2023 foi localizada no celular de Weverton Rocha (PDT-MA) mostra ao menos 7 políticos na propriedade do advogado Willer Tomaz

09/08/2026 08:54, atualizado 09/08/2026 08:56
Reprodução/revista piauí
O advogado Willer Tomaz (centro, com punho em riste) reunido com políticos em um rancho, em Planaltina. Atrás dele estão Elmar Nascimento e Juscelino Filho. Sentado no canto direito da foto, está Weverton Rocha (com o dedo em riste). Em pé, no centro e ao fundo, estão Arthur Lira e Paulo Azi

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) usou as redes sociais, na manhã deste domingo (9/8), para explicar a presença dele em imagem encontrada pela Polícia Federal (PF) no celular do senador Weverton Rocha (PDT-MA).

Na foto, obtida pela revista piauí, foi registrada em 23 de abril de 2023 e mostra parlamentares e um então ministro do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma piscina na propriedade do advogado Willer Tomaz, em Planaltina, no Distrito Federal. É possível ver Willer ao lado de ao menos sete políticos. Entre eles estão Arthur Lira (PP-AL), que na época presidia a Câmara dos Deputados; Alexandre Ramagem (PL-RJ), então deputado federal; e Juscelino Filho (PSDB-MA), à época ministro das Comunicações.

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Segundo Ramagem, a foto foi tirada em um evento “no qual estavam presentes inclusive esposas e filhos” e em que haveria um show de um cantor.

“O advogado é proprietário de escritório que representa diversos parlamentares, de direita, esquerda e centro, diversas empresas brasileiras e estrangeiras, além do próprio artista que se apresentou. Entre diversos segmentos políticos, estão na foto um senador candidato a governo pelo PL, dois outros candidatos ao Senado apoiados pelo Flávio e dois candidatos à reeleição a deputado que farão palanque para a direita na Bahia, onde precisamos virar votos”, disse.

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“Entre os candidatos ao Senado, está o então presidente da Câmara, a quem nunca deixei de criticar e ser voz pública ativa sempre que entendi haver condução com irregularidades ou contra a direita. Não deixarei de contestar tudo que considero ser errado, seja contra a esquerda, o centro, a própria direita ou qualquer pessoa”, continuou.

No texto, ele afirmou que sempre defendeu todas as investigações “sérias, conduzidas com rigor técnico, imparcialidade, apontando responsabilidades e dentro do estrito respeito à lei”. Por fim, falou do ex-presidente Jair Bolsonaro, sem citá-lo diretamente.

“Assim como ocorre com a maior figura política de direita do nosso país, podem revirar minha vida, tentar difamar, inventar, constranger, que não vai ter resultado. Não tenho nada de desvio, corrupção ou favorecimentos. Tiveram que inventar uma farsa de golpe para me perseguir e tentar me afastar da vida pública. Ainda assim, não interrompo a luta nem deixo de defender meus ideais.”

A foto na piscina

Na imagem também aparecem os deputados Elmar Nascimento (União-BA) e Paulo Azi (União-BA), o senador Efraim Filho (PL-PB), atual candidato ao governo da Paraíba, e o próprio Weverton. Na fotografia (em destaque), parte do grupo está dentro da piscina e outros aparecem ao redor, alguns com bebidas nas mãos.

Willer voltou à mira da PF nesta semana, em uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O advogado e familiares do senador Weverton estavam entre os alvos das buscas realizadas na terça-feira (4/8). O senador não foi alvo das medidas desta etapa.

A fotografia não é mencionada na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou as buscas, mas faz parte do material analisado pelos investigadores.

A PF investiga uma suposta estrutura de lavagem de dinheiro ligada a Willer e apura a relação financeira entre pessoas e empresas ligadas ao advogado e ao senador. Segundo os investigadores, empresas relacionadas a Willer transferiram mais de R$ 11 milhões para Samya Rocha, mulher de Weverton.

A PF também apura a compra, por R$ 6 milhões, da casa onde o senador mora no Lago Sul, em Brasília. O imóvel teria sido adquirido por uma empresa ligada ao advogado.

Willer nega envolvimento nas fraudes investigadas e afirma que os pagamentos feitos a Samya correspondem a honorários por serviços advocatícios. Sobre o encontro, ele afirmou, em nota, que repudia a “divulgação de fotografia de sua vida privada, registrada em 2023 durante evento particular em sua propriedade”.

Segundo o advogado, a imagem foi “vazada ilegalmente do celular do senador Weverton, sem qualquer relação com sua atividade profissional ou com os fatos noticiados”. Ele também afirmou que “jamais teve qualquer envolvimento com os fatos apurados no âmbito da Operação Sem Desconto e que não figura como investigado”.

O senador Weverton também nega irregularidades e sustenta que as movimentações citadas pela investigação são resultado de atividades profissionais e empresariais e foram declaradas à Receita Federal.

Em relação à fotografia ao lado do advogado Willer Tomaz, Weverton afirmou ao Metrópoles que pediu ao STF a apuração do vazamento da imagem, que classificou como criminoso.

Segundo ele, a imagem é de caráter pessoal e não tem relação com a Operação Sem Desconto. Ele também disse que o episódio busca “distorcer fatos e reputações” e afirmou que o vazamento demonstra, em sua avaliação, um “viés político-eleitoral” da ação.

Encontro no Rancho Tomaz

Segundo a reportagem, o encontro foi organizado por meio de um grupo de WhatsApp chamado “Grupo Seleto”. Conversas mostram os participantes preparando uma lista de convidados para o feriado de Tiradentes, celebrado em 21 de abril, dois dias antes da data registrada na fotografia.

Mulheres de alguns dos políticos também faziam parte do grupo. O encontro ocorreu no Rancho Tomaz, propriedade de Willer em Planaltina. O local tem quadras de tênis, campo de minigolfe e acesso à Lagoa Formosa.

Paulo Azi confirmou à revista que esteve no encontro. “Não é meu advogado, mas o conheço e fui convidado para essa comemoração”, afirmou. Elmar Nascimento disse ser próximo de Willer, mas afirmou que estava em Tiradentes (MG).

Procurados pelo Metrópoles, Efraim, Lira e Juscelino ainda não se manifestaram. O espaço segue aberto.