
Igor GadelhaColunas

Para ala do Planalto, decisão sobre PCC e CV será tiro no pé de Flávio
Para ministros do Planalto, classificação do CV e PCC como terroristas pelos EUA terá efeito reverso para Flávio Bolsonaro, defensor da ação
atualizado
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Uma ala de ministros do Palácio do Planalto aposta que a classificação do PCC e do Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas pelos Estados Unidos acabará sendo um “tiro no pé” do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A designação das duas facções brasileiras como grupos terroristas foi anunciada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, na quinta-feira (28/5), um dia após o auxiliar do presidente Donald Trump receber Flávio na Casa Branca.
O timing do anúncio levou Flávio e seus aliados a comemorarem a medida como uma vitória política do senador, que defendeu enfaticamente a medida nas conversas com Rubio e Trump, em Washington, na véspera do anúncio.
Ministros palacianos e outros auxiliares de Lula avaliam, contudo, que a medida terá um efeito político reverso para Flávio assim que a população brasileira entender que a decisão tem potencial de trazer riscos à soberania do Brasil.
O governo Lula sempre se posicionou contra a medida, justamente com o argumento de que a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas abriria margem para uma eventual “intervenção” dos Estados Unidos no Brasil.
“Da última vez que eles conseguiram algo do governo americano, trouxeram dor e sofrimento para famílias que perderam emprego e renda. Isso não tem esse efeito (positivo), basta acompanhar as pesquisas. Será um tiro no pé‘, avaliou à coluna, sob reserva, um influente ministro de Lula, em referência ao tarifaço imposto pelo governo Trump a produtos brasileiros importados pelos EUA.
Esse auxiliar de Lula avalia que o temor da interferência estrangeira não cai bem entre brasileiros. “É que nem família. Todo mundo pode criticar dentro, mas vai um de fora falar para você ver”, comparou o ministro, ainda sob reserva.
Integrantes do governo Lula afirmam que, antes de uma reação oficial, é preciso entender os efeitos e desdobramentos da medida anunciada pelo secretário de Estado da gestão Trump. Essa avaliação será feita ao longo da sexta-feira (29/5).
“O governo brasileiro sempre se colocou à disposição para cooperar com o governo norte-americano no combate ao crime organização. Essa designação só revela mesmo o desespero eleitoral do clã Bolsonaro”, diz um ministro de Lula.





