No Dia Mundial do Ovo, nutri responde se alimento pode aumentar o colesterol
Nutricionista explica que o impacto do consumo do ovo varia de acordo com o organismo e a rotina alimentar de cada um; entenda

Apesar do ovo ter sido visto por muitos anos como um possível vilão contra o colesterol, atualmente há uma visão um pouco mais ampla e profunda sobre a ligação entre os dois. O nutricionista Thyago Nishino, especializado em nutrição esportiva, emagrecimento e metabolismo, adverte que “essa relação é mais complexa do que se acreditava no passado”. No Dia Mundial do Ovo, celebrado nesta sexta-feira (9/10), entenda mais sobre o assunto com o expert.
Embora o ovo contenha colesterol, isso por si só não significa que seu consumo irá, necessariamente, aumentar os níveis no organismo. Segundo o nutricionista, “o impacto do colesterol sanguíneo varia bastante entre as pessoas e depende do padrão alimentar com um todo.”
Além de analisar o alimento sozinho, é preciso olhar para diversos fatores dentro da rotina alimentar, como ingestão de gorduras saturadas e trans; e o consumo de verduras, legumes, frutas e fibras, que fazem diferença na hora de avaliar a saúde de um indivíduo. O especialista reflete sobre a importância de se olhar para o contexto completo da alimentação antes de determinar se um alimento pode ou não ter efeito maléfico.
“Sabemos que, para a maioria das pessoas, a qualidade da dieta, especialmente o consumo de gorduras saturadas e trans, têm um peso importante na definição do risco cardiovascular. Portanto, não faz sentido olhar apenas para um alimento isoladamente. O contexto da alimentação e os fatores individuais são fundamentais”, explica Thyago.
O colesterol do ovo não é o mesmo do presente no sangue
Existem diferenças essenciais entre o colesterol produzido pelo próprio organismo e o colesterol presente no alimento. Entender isso é crucial para determinar medidas no tratamento do colesterol alto.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“O colesterol presente nos alimentos é chamado de colesterol dietético. Já o organismo, principalmente o fígado, também produz colesterol naturalmente, porque ele é necessário para diversas funções, como a produção de hormônios, vitamina D e componentes das membranas das células”, afirma.
Ele ainda esclarece que esses fatores devem ser considerados ao realizar uma avaliação sobre o cronograma alimentar de um paciente.
“Quando aumentamos o consumo de colesterol pela alimentação, o organismo pode compensar parcialmente reduzindo sua própria produção. No caso do ovo, portanto, não existe uma relação direta e proporcional entre a quantidade de colesterol ingerida e o colesterol que aparece no exame de sangue”, explica o nutricionista.
Existe uma quantidade segura para o consumo de ovos?
Não há uma quantidade exata e única que se aplica para todas as pessoas, pois cada organismo irá reagir de formas diferentes.
Em muitos casos, para indivíduos saudáveis, o consumo do ovo diariamente pode fazer parte de uma alimentação equilibrada. No entanto, é necessário efetuar o acompanhamento com um profissional da saúde para entender o que pode ser benéfico dentro de cada contexto.
O modo de preparo do ovo pode fazer diferença
Outro ponto relevante a ser considerado é a forma como o ovo é feito. “Um ovo cozido ou preparado com pouca gordura tende a ser uma opção mais interessante do ponto de vista cardiovascular”, alerta o especialista.

Tendo isso em mente, é importante atentar-se para o consumo de frituras em excesso, os ingredientes utilizados no processo e a maneira que o alimento é servido.
“Um ovo frito em grande quantidade de óleo, especialmente se acompanhado de bacon, linguiça, queijos muito gordurosos ou outros alimentos ricos em gordura saturada, muda bastante o perfil daquela refeição. Então, muitas vezes, o problema não está no ovo isoladamente, mas no conjunto que o acompanha e na forma de preparo”, informa Thyago.
O problemas muitas vezes não está no ovo em si, e sim na combinação de elementos e na preparação que, a depender do contexto de cada pessoa, pode ser prejudicial à saúde.
Benefícios nutricionais do ovo
Levando em consideração cada organismo, o alimento tem muitas qualidades que não podem ser descartadas ao se pensar em um cronograma alimentar equilibrado. Há partes benéficas à saúde que o consumo do ovo pode oferecer.
“O ovo é um alimento bastante completo nutricionalmente. Ele fornece proteínas de alto valor biológico, com todos os aminoácidos essenciais, além de vitaminas e minerais importantes, como vitamina B12, riboflavina, selênio e colina. Também contribui para a saciedade e pode ser uma estratégia interessante para aumentar a ingestão de proteínas ao longo do dia”, explica o nutricionista.
Portanto, Thyago reitera que o alimento “pode fazer parte da alimentação de diferentes pessoas, inclusive de quem busca ganho ou preservação de massa muscular, desde que esteja inserido em um padrão alimentar equilibrado e adequado às necessidades individuais”.
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