Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Fábia Oliveira

Separação de Thaís Carla levanta debate sobre emagrecimento e términos

Após o caso de Thaís Carla, especialistas esclarecem por que grandes mudanças pessoais podem impactar um casamento

10/07/2026 15:31
Reprodução/redes sociais.
Separação de Thaís Carla levanta debate sobre emagrecimento e términos

O fim do casamento da influenciadora Thaís Carla, anunciado nesta sexta-feira (10/7), voltou a colocar em evidência uma discussão que há anos desperta curiosidade entre médicos e profissionais da saúde mental: por que alguns relacionamentos chegam ao fim depois que a mulher emagrece ou passa por uma cirurgia bariátrica?

Embora muitas pessoas associem diretamente o emagrecimento ao rompimento, especialistas afirmam que a perda de peso, por si só, não é responsável pelo término de um casamento. Em muitos casos, de acordo com profissionais, o processo de emagrecimento vem acompanhado de maior independência, retomada da vida social, novos objetivos e uma percepção diferente sobre os próprios limites.

Receba no seu email as notícias da coluna Fábia Oliveira

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

Outro tema que costuma surgir nessas situações é a possibilidade de alguns parceiros demonstrarem resistência ao emagrecimento da mulher. Afinal, trata-se apenas de dificuldade em aceitar mudanças ou pode existir algum componente psicológico mais complexo, como um fetiche? Para o psiquiatra Dr. Ciro Jorge, ouvido pela coluna Fábia Oliveira, é preciso evitar generalizações.

Separação de Thaís Carla levanta debate sobre emagrecimento e términos - destaque galeria
5 imagens
Thais Carla e Israel Reisestavam juntos há 11 anos e são pais de 2 meninas
Thaís Carla e Israel Reis
Thaís Carla e Israel Reis
Thaís Carla termina casamento após 11 anos juntos
Thais Carla e Israel Reis anunciaram o fim do casamento de 11 anos
1 de 5

Thais Carla e Israel Reis anunciaram o fim do casamento de 11 anos

Instagram/Reprodução
Thais Carla e Israel Reisestavam juntos há 11 anos e são pais de 2 meninas
2 de 5

Thais Carla e Israel Reisestavam juntos há 11 anos e são pais de 2 meninas

Instagram/Reprodução
Thaís Carla e Israel Reis
3 de 5

Thaís Carla e Israel Reis

Instagram/reprodução
Thaís Carla e Israel Reis
4 de 5

Thaís Carla e Israel Reis

Instagram/reprodução
Thaís Carla termina casamento após 11 anos juntos
5 de 5

Thaís Carla termina casamento após 11 anos juntos

Instagram/reprodução

“Nem sempre estamos falando de um fetiche. Em muitos casos, o parceiro se acostumou à dinâmica daquele relacionamento e à imagem que construiu da pessoa ao longo dos anos. Quando ocorre uma transformação significativa, física e emocional, alguns indivíduos têm dificuldade para lidar com essa mudança porque ela altera papéis, expectativas e até mesmo a sensação de segurança dentro da relação. O problema não é, necessariamente, o novo corpo, mas a incapacidade de acompanhar a evolução do outro”, disse ele.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Segundo ele, o emagrecimento representa muito mais do que uma mudança estética.

“A perda de peso frequentemente vem acompanhada de aumento da autoestima, maior independência, retomada da vida social e disposição para experimentar novas experiências. Isso pode modificar completamente a forma como a mulher estabelece limites, faz escolhas e se posiciona dentro do casamento. Quando o relacionamento já apresentava fragilidades, essas mudanças podem torná-las mais evidentes”, destacou.

Para a psiquiatra Dra. Juliane de Paula, também ouvida pela coluna, o fortalecimento da autoestima pode fazer com que a mulher passe a enxergar o relacionamento sob uma nova perspectiva.

“Quando a autoestima melhora, a mulher passa a perceber que merece ser respeitada, valorizada e ouvida. Muitas começam a identificar comportamentos que antes eram naturalizados, como controle excessivo, desvalorização ou dependência emocional. Isso não significa que emagrecer leva ao divórcio, mas que o fortalecimento da identidade pode fazer com que algumas relações deixem de fazer sentido”, destacou.

Ela acrescenta que alguns parceiros também podem reagir de forma insegura diante dessa transformação: “Alguns companheiros podem sentir medo de perder a parceira, desenvolver ciúmes ou até tentar desencorajar os novos hábitos saudáveis. Esse comportamento normalmente está relacionado à insegurança e ao receio das mudanças na dinâmica do casal, e não necessariamente à aparência física em si”.

Outra especialista ouvida pela coluna foi a psiquiatra Dra. Jessica Martani. Segundo ela, em alguns casos, a resistência do parceiro pode estar relacionada a uma necessidade inconsciente de manter a outra pessoa em posição de dependência.

“Na prática clínica, esse tipo de situação aparece com mais frequência do que as pessoas imaginam. Existem relacionamentos em que o parceiro constrói sua identidade a partir do papel de cuidador ou daquele que exerce controle sobre a vida do outro. Quando a mulher emagrece, recupera autonomia, passa a cuidar de si e ganha independência, essa dinâmica é rompida. Não significa que isso aconteça em todos os casos, muito menos que explique o término de um relacionamento específico, mas há situações em que o desconforto não está na perda de peso, e sim no fato de a mulher deixar de ser dependente”, falou.

Segundo a especialista, esse comportamento pode, em determinadas circunstâncias, envolver aspectos psicológicos mais profundos.

“Algumas pessoas desenvolvem satisfação emocional ao ocupar permanentemente a posição de quem salva, protege ou é indispensável para o outro. Em casos mais específicos, isso pode até assumir características fetichistas ligadas ao cuidado ou à manutenção da fragilidade da outra pessoa. É um fenômeno que existe, mas precisa ser analisado individualmente e jamais pode ser usado para explicar automaticamente qualquer separação”, disse.

Para o pesquisador da sexualidade e mestre da arte fetichista Heitor Werneck, fetiches relacionados ao corpo ou ao papel desempenhado dentro da relação existem, mas não devem ser confundidos com comportamento afetivo saudável.

“O universo do fetiche é extremamente amplo e envolve diferentes formas de desejo. Algumas pessoas podem sentir atração por determinados biotipos ou pela dinâmica de cuidar de alguém, mas isso só faz parte de uma sexualidade saudável quando ocorre entre adultos, de forma consciente, consensual e sem impedir o desenvolvimento da autonomia do parceiro. Quando existe sofrimento porque a outra pessoa melhora de vida, conquista independência ou deixa de ser vulnerável, já não estamos falando apenas de preferência estética ou fantasia, mas de uma dinâmica que merece reflexão”, disparou.