
Claudia MeirelesColunas

Psicóloga alerta: obsessão pela longevidade pode mascarar transtornos
Envelhecer com mais saúde é o desejo das novas gerações, o problema é quando a busca pela longevidade se transforma em obsessão
atualizado
Compartilhar notícia

Em uma sociedade cada vez mais obcecada por performance, produtividade e bem-estar, a busca pela longevidade se tornou quase uma indústria. Embora avanços da medicina e da tecnologia tenham ampliado a expectativa de vida e permitido envelhecer com mais saúde, especialistas alertam que essa corrida também pode esconder um problema: o desenvolvimento de comportamentos compulsivos.
Em conversa com a coluna, a psicóloga Cibele Santos explica que, especialmente entre pessoas com maior poder aquisitivo, a obsessão por viver mais pode refletir uma tentativa de escapar do inevitável: a morte.
“A ideia de que é possível comprar saúde e tempo pode levar a um desvio da realidade, no qual a busca pela longevidade se transforma em uma fonte constante de ansiedade. Para muitos, essa corrida reflete a percepção de que, ao acumular riqueza, também podem acumular controle sobre a vida — inclusive sobre o tempo”, analisa.

Segundo a especialista, o comportamento está ligado ao desejo de controle. Em um mundo repleto de incertezas, a promessa de prolongar a vida por meio de tratamentos, tecnologias ou protocolos rígidos de saúde surge como uma forma de reduzir o medo do desconhecido
“Nesses casos, a pessoa passa a viver em função da próxima tecnologia, suplemento ou tratamento que promete prolongar a vida. Esse padrão pode evoluir para comportamentos compulsivos e gerar sofrimento emocional”, alerta.
Quando a longevidade vira transtorno
Adotar hábitos saudáveis — como manter uma alimentação equilibrada, praticar exercícios e acompanhar indicadores de saúde — faz parte de uma rotina preventiva. No entanto, o limite é ultrapassado quando esses cuidados passam a gerar culpa, estresse constante ou impacto nas relações sociais.
“A culpa que surge quando alguém não consegue seguir uma dieta ou treino considerado ideal pode ser muito prejudicial. Ela cria um ciclo de ansiedade e estresse que, paradoxalmente, também afeta a saúde física”, explica a psicóloga. O estresse crônico, acrescenta, está associado a diversos problemas de saúde.

Em alguns casos, a busca por uma vida saudável pode evoluir para transtornos como a ortorexia — caracterizada pela obsessão em consumir apenas alimentos considerados “puros” ou saudáveis. “Esse é um exemplo claro de como um desejo legítimo de cuidar da saúde pode se transformar em algo nocivo. Quando a busca pela pureza alimentar se torna rígida e obsessiva, ela deixa de promover bem-estar e passa a gerar sofrimento”, afirma.
Para evitar esse ciclo, Cibele destaca a importância de cultivar autocompaixão e uma visão mais equilibrada da saúde. “É importante lembrar que saúde é um espectro, não um estado fixo. Momentos de indulgência não são falhas, mas parte natural de uma vida equilibrada”, conclui.

Para saber mais, siga o perfil de Vida&Estilo no Instagram.
