
Claudia MeirelesColunas

Acordar às 3h pode ter causa hormonal, alerta endocrinologista
Médica endocrinologista destaca que acordar às 3h tem causa multifatorial, mas geralmente é associada a uma desregulação hormonal
atualizado
Compartilhar notícia

Você despertou, checou o horário no celular e, coincidentemente, são 3h. Esse é um relato comum nas redes sociais e, apesar de constantemente ser atrelado a questões espirituais, a resposta para esse fenômeno pode ser fisiológica.
Em busca de entender esse mistério, a coluna Claudia Meireles consultou a endocrinologista Érika Fernanda de Faria, médica do Hospital Santa Lúcia Gama. De acordo com a especialista, despertar repetidas vezes nesse horário é atrelado a várias causas, mas uma das mais comuns é a alteração na liberação de cortisol — o “hormônio do estresse”, responsável por gerenciar o ciclo sono e vigília.
“O cortisol segue um ritmo biológico chamado ritmo circadiano, controlado pelo eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. Em condições normais, ele começa a subir lentamente nas últimas horas da madrugada para preparar o corpo para o despertar. Quando existe desregulação desse ritmo, algumas pessoas podem apresentar elevação precoce do cortisol durante a noite, especialmente entre 2h e 4h“, explica.

De acordo com a médica, estudos sobre insônia mostram que indivíduos com dificuldade de manter o sono frequentemente apresentam “hiperatividade do eixo do estresse”, com níveis noturnos de cortisol mais elevados do que o esperado.
“É importante destacar que acordar às 3h também pode estar relacionado a outros fatores: ciclos normais do sono, apneia do sono, refluxo, ansiedade, dor, uso de álcool, entre outros”, destaca.
Como evitar acordar às 3h
Para evitar esse hábito, a endocrinologista destaca que existem estratégias e abordagens que envolvem ajustes no estilo de vida e na higiene do sono — com forte respaldo científico. Entre as medidas mais úteis estão:
- Manter horários regulares para dormir e acordar;
- Reduzir exposição a telas e luz intensa à noite;
- Evitar cafeína após o meio da tarde;
- Praticar atividade física regular, preferencialmente durante o dia;
- Criar um ambiente escuro, silencioso e confortável para dormir;
- Utilizar técnicas de relaxamento, meditação ou respiração antes de dormir.

Em alguns casos, quando há insônia persistente, a endocrinologista Érika Fernanda de Faria destaca que a abordagem comprovadamente eficaz é a terapia cognitivo-comportamental para insônia.
“É considerada um tratamento de primeira linha em muitas diretrizes médicas. Dependendo da situação clínica, o médico também pode investigar condições associadas, como ansiedade, depressão, síndrome da apneia do sono e distúrbios hormonais”, destaca.

Para saber mais, siga o perfil de Vida&Estilo no Instagram.
