Claudia Meireles

Cardiologista aponta como bebidas alcoólicas afetam a saúde do coração

O cardiologista Wendel Silva Issi avalia os efeitos do consumo de bebidas alcoólicas ao coração. A ingestão pode desencadear quadros sérios

atualizado

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Ilustração colorida de esqueleto com coração e vasos sanguíneos em evidência - Metrópoles
1 de 1 Ilustração colorida de esqueleto com coração e vasos sanguíneos em evidência - Metrópoles - Foto: Getty Images

Com a função de bombear o sangue para todo o corpo, garantindo que oxigênio e nutrientes cheguem às células, o coração é afetado pelo consumo de bebidas alcoólicas, conforme frisa o cardiologista Wendel Silva Issi. O médico pontua que cerveja e opções destiladas — uísque, vodca, tequila e cachaça — tendem a apresentar maior associação com prejuízos cardiovasculares quando comparadas ao vinho.

De acordo com o especialista, essa comparação entre cerveja e bebidas destiladas serem piores que o vinho ocorre em contextos de consumo frequente ou em grandes quantidades. “As evidências científicas atuais demonstram que o principal fator relacionado ao dano cardiovascular não é necessariamente o tipo de bebida, mas a quantia total de álcool e o padrão de ingestão, especialmente episódios de exagero“, menciona.

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A ingestão de bebidas alcoólicas prejudica o coração
O principal fator relacionado ao dano cardiovascular não é necessariamente o tipo de bebida alcoólica, mas sim a quantidade total de álcool consumida e o padrão de ingestão
A OMS reforça que nenhuma dose de álcool é segura para o corpo humano
O álcool gera um "efeito dose-dependente", ou seja, quanto maior o consumo de bebida alcoólica, mais prejudicial é para o sistema cardiovascular
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O álcool gera um "efeito dose-dependente", ou seja, quanto maior o consumo de bebida alcoólica, mais prejudicial é para o sistema cardiovascular

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A ingestão de bebidas alcoólicas prejudica o coração
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A ingestão de bebidas alcoólicas prejudica o coração

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O principal fator relacionado ao dano cardiovascular não é necessariamente o tipo de bebida alcoólica, mas sim a quantidade total de álcool consumida e o padrão de ingestão
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O principal fator relacionado ao dano cardiovascular não é necessariamente o tipo de bebida alcoólica, mas sim a quantidade total de álcool consumida e o padrão de ingestão

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A OMS reforça que nenhuma dose de álcool é segura para o corpo humano
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A OMS reforça que nenhuma dose de álcool é segura para o corpo humano

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Riscos à saúde do coração

Tendo por referência estudos populacionais, Wendel detalha que essas pesquisas mostraram que a cerveja e as bebidas destiladas estão associadas a maior risco de mortalidade cardiovascular, hipertensão arterial, arritmias e doença cerebrovascular.

“Já o vinho demonstrou, em algumas análises observacionais, relação aparentemente mais favorável para determinados desfechos coronarianos”, enfatiza o médico.

O cardiologista argumenta que essa “hipótese do vinho” tem atribuição à presença de compostos fenólicos com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. O especialista faz uma ressalva sobre o consumo de bebidas alcoólicas à base de uva e a proteção ao coração.

“Entretanto, trabalhos mais recentes sugerem que parte desse possível benefício pode estar relacionada a fatores de estilo de vida, alimentação e perfil socioeconômico dos consumidores moderados de vinho, não sendo recomendado iniciar consumo alcoólico com objetivo de proteção cardiovascular“, salienta Wendel.
Ilustração colorida de coração em esqueleto humano - Metrópoles
Quanto ao efeito no coração, o cardiologista esclarece que a cerveja e as bebidas destiladas estão associadas a maior risco de mortalidade cardiovascular, hipertensão arterial, arritmias e doença cerebrovascular

O médico sustenta sobre o álcool exercer efeitos cardiovasculares complexos e dependentes da dose: “Em curto prazo, o consumo excessivo pode causar aumento transitório da pressão arterial, taquicardia, desidratação, ativação simpática e outras alterações cardíacas”.

Ele cita que uma das complicações agudas mais conhecidas é a chamada holiday heart syndrome (síndrome do coração pós-feriado, em tradução livre).

“Essa síndrome é caracterizada pelo surgimento de arritmias, principalmente fibrilação atrial, após episódios de ingestão alcoólica excessiva, inclusive em indivíduos sem cardiopatia estrutural prévia”, defende o médico.
Foto em close up das mãos de três pessoas brindando garrafas de cerveja. Metrópoles
O álcool exerce efeitos cardiovasculares complexos e dependentes da dose, conforme alega o especialista

Consumo crônico

Segundo o especialista, evidências demonstraram os efeitos negativos de ingerir acima de aproximadamente 14 gramas de álcool por dia. “O risco de fibrilação atrial aumenta progressivamente, com elevação estimada em cerca de 10% para cada dose adicional consumida“, alerta Wendel Silva Issi.

Quanto à ingestão crônica excessiva, o cardiologista pontua que há associações a múltiplos mecanismos de lesão cardiovascular, incluindo toxicidade direta ao músculo cardíaco, estresse oxidativo, disfunção mitocondrial, inflamação vascular e alterações neuro-hormonais.

“Como consequência do consumo das bebidas alcoólicas ao coração, pode haver desenvolvimento de hipertensão arterial, cardiomiopatia alcoólica, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral e piora global do risco cardiovascular”, lista o médico.

Ao finalizar, o especialista evidencia: “A cardiomiopatia alcoólica merece destaque por representar importante causa de cardiomiopatia dilatada não isquêmica, decorrente do efeito tóxico cumulativo do álcool e de seus metabólitos sobre os miócitos cardíacos.”

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O consumo frequente e em grandes quantidades de bebidas alcoólicas afeta de forma mais potente o coração

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