Relembre os acontecimentos que marcaram a moda em 2019

Karl Lagerfeld, sustentabilidade, diversidade e os altos e baixos de grandes etiquetas foram assuntos recorrentes ao longo do ano

Pascal Le Segretain/Getty ImagesPascal Le Segretain/Getty Images

atualizado 19/12/2019 10:49

Nem o mundo da moda escapou dos altos e baixos de 2019. Se por um lado a indústria deu passos maiores em prol da sustentabilidade e da diversidade, por outro, viu a partida de um de seus maiores ícones, o estilista Karl Lagerfeld. Além disso, algumas etiquetas passaram por maus bocados nos últimos 12 meses. Felizmente, o ano também teve momentos de leveza, como o triunfo das marcas de moda de Rihanna e o comentado retorno do vestido de J.Lo que deu origem ao Google Imagens.

Vem comigo relembrar os acontecimentos que marcaram a moda em 2019!

1. Karl Lagerfeld morre aos 85 anos
No fim de janeiro, um dos assuntos dos bastidores da moda foi a ausência de Karl Lagerfeld no desfile de alta-costura na temporada de primavera/verão 2019 da Chanel. À época, alegou-se que ele estaria indisposto e teria deixado a então diretora de estúdio, Virginie Viard, responsável pelos agradecimentos do show.

Menos de um mês depois, no dia 19 de fevereiro, sua morte foi anunciada, aos 85 anos. Segundo a imprensa internacional, o estilista alemão lutava em segredo contra um câncer no pâncreas.

Nascido em 10 de setembro de 1933, na cidade de Hamburgo, na Alemanha, Karl mudou para Paris em 1953. Diretor criativo da Chanel e da Fendi, deixou ainda uma marca homônima e passou por grifes como Balmain, Chloé e Jean Patou ao longo da carreira.

Ele ficou conhecido pelos cabelos brancos com coque, o terninho preto e o inseparável par de óculos escuros — detalhes que já inspiraram vários lançamentos. Apesar de algumas polêmicas e opiniões controversas, o kaiser era querido e deixou muita saudade entre os amantes da moda.

Pascal Le Segretain/Getty Images
O renomado estilista alemão Karl Lagerfeld morreu no dia 19 de fevereiro, aos 85 anos, na França

 

Pierre Vauthey/Sygma/Sygma via Getty Images
O designer era diretor criativo da grife francesa Chanel desde 1983, e da italiana Fendi desde 1965. Esta foto é de um desfile de alta-costura da Chanel nos anos 1980

 

John van Hasselt/Sygma via Getty Images
Além de ter criado uma marca homônima, ele trabalhou em etiquetas como Balmain, Chloé e Jean Patou

 

2. Marcas de Rihanna triunfam na moda
Boatos em torno de uma suposta marca de luxo da cantora Rihanna com o grupo LVMH correram nos bastidores da indústria desde o início do ano. Finalmente, a grife Fenty foi confirmada no início de maio, depois de vários burburinhos, e lançada alguns dias depois, com peças de prêt-à-porter, calçados, acessórios e artigos de couro. A modelo Bella Hadid foi a primeira celebridade a ser fotografada com itens da label após a estreia.

O hype fashion em torno da cantora não parou por aí. Em setembro, RiRi disponibilizou o desfile-performance da linha de lingeries Savage x Fenty para o streaming Amazon Prime. Repleto de atrações musicais e modelos com diversos tipos de corpos, além de tops celebradas, como Cara Delevingne e as irmãs Hadid, a apresentação foi um dos assuntos do ano. A etiqueta foi lançada em 2018, com proposta inclusiva e designs que são a cara da popstar.

Mark Ganzon/Getty Images for Fenty Beauty
A cantora Rihanna lançou a própria marca de luxo neste ano, a Fenty, junto ao grupo LVMH

 

Divulgação/Fenty
Lançada em maio, a etiqueta oferece vestuário prêt-à-porter, calçados, acessórios e artigos de couro

 

Kevin Mazur/Getty Images for Savage X Fenty Show Presented by Amazon Prime Video
O desfile-performance da linha de lingeries Savage x Fenty, lançada em 2018, também deu o que falar no mês de setembro

 

3. Victoria’s Secret fecha lojas e cancela o desfile anual em 2019
Este não foi um ano fácil para uma das marcas de lingeries e beleza mais famosas do mundo. Depois de enfrentar uma grande polêmica pela falta de modelos trans e plus size na passarela de seu desfile anual, a Victoria’s Secret anunciou algumas reestruturações. Entre elas, o fechamento de 53 lojas e o comunicado de que o desfile não seria transmitido em 2019. Sem falar em fatores como quedas de vendas, a forte concorrência e as críticas recorrentes sobre o padrão de beleza sugerido pela label.

Em agosto, uma das participantes do show disse que ele não seria realizado neste ano. Dito e feito: em novembro, o grupo L Brands confirmou o cancelamento do desfile em 2019.

“Foi uma parte muito importante da construção desse negócio, um aspecto importante da Victoria’s Secret e uma conquista notável de marketing. Estamos descobrindo como avançar no posicionamento da marca e melhor comunicá-la aos clientes”, declarou Stuart B. Burgdoerfer, vice-presidente da holding.

Depois dessa, o que será do Victoria’s Secret Fashion Show?

Dimitrios Kambouris/Getty Images for Victoria's Secret
O famoso desfile anual Victoria’s Secret Fashion Show, que acontecia desde 1995, não foi realizado neste ano

 

Kevin Mazur/Getty Images for Victoria's Secret
A marca de lingeries não teve um ano fácil. Em março, anunciou o fechamento de 53 lojas

 

Taylor Hill/WireImage
A etiqueta sofre críticas por promover um padrão de beleza obsoleto e pela falta de diversidade nos desfiles e campanhas

 

4. Sustentabilidade ganha mais espaço na indústria
Uma das exigências da geração Z, a sustentabilidade nunca esteve tão em alta na moda, especialmente no aspecto ambiental. Foram várias iniciativas ao longo do ano, mas algumas tiveram maior destaque.

O conglomerado de luxo francês Kering começou o ano ocupando o posto de segunda companhia global mais sustentável do mundo, de acordo com a lista Corporate Knights’ 2019 Global 100 Index.

Meses depois, logo após a Gucci (marca que pertence ao grupo) anunciar que compensaria todas as emissões de carbono a partir de agora, a empresa seguiu o exemplo e estendeu a decisão para todo seu catálogo, que inclui etiquetas como Balenciaga e Bottega Veneta.

Enquanto isso, a corrida em prol do movimento Fur Free ganhou novos aliados. Entre eles, a Prada, Victoria Beckham e a própria rainha Elizabeth II.

Em outubro, a Califórnia se tornou o primeiro estado dos EUA a proibir a fabricação e a venda de produtos com pele. A medida valerá a partir de 2023 e já havia sido tomada pelas cidades de Los Angeles e São Francisco.

Além disso, a prefeitura de Paris anunciou, em fevereiro, pacote de ações para transformar a cidade na capital da moda sustentável até as Olimpíadas de 2024. O projeto consiste em uma série de metas a serem traçadas pelo mercado local dentro dos próximos cinco anos.

Em agosto, paralelamente à reunião do G7, 32 empresas de moda (ao todo, 150 marcas) assinaram um acordo em prol da diminuição dos impactos ambientais da indústria fashion. O movimento, encabeçado pelo presidente Emmanuel Macron e empresários do ramo, reuniu etiquetas como Burberry, Prada e o grupo LVMH.

Istock
O grupo Kering, dono de marcas como Gucci, Balenciaga e Bottega Veneta, anunciou que compensará 100% as emissões de gases de efeito estufa

 

© Pool Photograph/Corbis/Corbis via Getty Images
A rainha Elizabeth II é a nova aliada do movimento Fur Free. Em seu novo livro, a estilista e assistente pessoal da monarca revelou que suas novas roupas não terão mais pele animal. Contudo, isso não significa que ela deixará de usar peças de pele que já possui

 

Victor Boyko/Getty Images
A cidade de Paris anunciou um pacote de ações para se tornar a capital da moda sustentável até as Olimpíadas de 2024

 

5. Modelo Tales Cotta morre após desmaiar na passarela do São Paulo Fashion Week N47
O último dia do São Paulo Fashion Week N47, em abril, ficou marcado por uma triste fatalidade. Na metade da programação, o modelo mineiro Tales Cotta sofreu um mal súbito e caiu na passarela enquanto desfilava para a grife Också. De início, expectadores chegaram a cogitar que se tratava de uma performance, até ele ser socorrido. Por volta das 19h10 daquele dia, a assessoria de imprensa do evento confirmou a morte do rapaz, aos 25 anos.

A tragédia foi cercada de boatos sobre a possível causa da morte, além de críticas ao evento e às marcas por seguirem com a programação. Em maio, o laudo necroscópico revelou o motivo do óbito: uma doença cardíaca não diagnosticada provocou um edema pulmonar. O documento descartou ainda a presença de substâncias ilícitas e álcool no organismo do modelo.

Segundo o agente Rogério Campaneli, Tales estava escalado para os desfiles de primavera/verão 2020 na Semana de Moda Masculina de Milão, em junho. Ele havia desfilado para a marca Ratier no dia anterior ao ocorrido e participou da Casa de Criadores e do SPFWN46.

Vinicius Ziehe
Tales Cotta, modelo mineiro que morreu após cair na passarela do São Paulo Fashion Week N47, em abril

 

Reprodução/Instagram/@tales.cotta
Entre críticas e boatos, a causa da morte foi revelada no mês seguinte: doença cardíaca não diagnosticada provocou um edema pulmonar. Nesta foto, ele desfilava para a grife Ratier no dia anterior ao óbito

 

Reprodução/Instagram/@tales.cotta
Tales tinha 25 anos e desfilava para a marca Också quando a fatalidade ocorreu

 

6. Meghan Markle assina linha de roupas beneficente e o September Issue da British Vogue
A duquesa de Sussex continuou nos holofotes do mundo inteiro em 2019. Um dos grandes momentos fashion de Meghan Markle neste ano foi a participação como editora convidada na edição de setembro da Vogue Britânica. Tradicionalmente, o September Issue é a edição mais simbólica do ano. Por isso, a ex-atriz homenageou 15 mulheres fortes com destaque de diferentes áreas, como ativistas, modelos, atrizes e muito mais.

A jovem ativista ambiental Greta Thunberg, as modelos Adwoa Aboah e Adut Akech, bem como a atriz Jane Fonda, são alguns exemplos das personalidades convidadas a responderem uma pergunta: “Quais são as mudanças que você quer ver no mundo?”. Outros destaques da edição foram um bate-papo de Meghan com a ex-primeira-dama dos EUA Michele Obama e uma entrevista com a antropóloga Jane Goodall.

Ainda em setembro, a duquesa colaborou com uma coleção-cápsula beneficente, com peças de marcas de vestuário do Reino Unido como Marks & Spencer, Jigsaw, Misha Nonoo e John Lewis and Partners. A cada peça vendida, uma foi doada para a instituição Smart Works, que ajuda mulheres desempregadas a encontrarem trabalho. A organização oferece treinamentos e fornece roupas para serem usadas em entrevistas de emprego.

Dominic Lipinski - WPA Pool/Getty Images
Meghan Markle continuou nos holofotes da moda em 2019

 

Reprodução/Vogue UK
Capa de setembro da British Vogue, editada por Meghan Markle, com homenagem a 15 mulheres fortes que atuam em diferentes áreas e causas

 

Karwai Tang/WireImage
Para o lançamento do trabalho, a norte-americana usou um dos looks de sua linha

 

7. Jennifer Lopez rouba a cena em desfile da Versace
A atriz e cantora Jennifer Lopez deu um show ao encerrar o desfile de primavera/verão 2020 da Versace. Na ocasião, em setembro, a artista de 50 anos cruzou a passarela com uma nova versão do vestido usado por ela no Grammy de 2000. O burburinho do look foi tão grande, há quase 20 anos, que deu origem ao Google Imagens. Em 2019, J.Lo ressurgiu com uma releitura ainda mais nua do que a peça original (primavera/verão 2000). Não deu outra: ela foi ovacionada pelos convidados.

Vale destacar que essa não foi a primeira vez que a estrela vestiu roupas inspiradas no modelito icônico, e que ficou na história da cultura pop. Pouco antes do desfile de setembro, a varejista Fashion Nova lançou uma fantasia de Halloween inspirada no famoso Jungle Dress. A “homenagem”, no entanto, não agradou à grife italiana, que processou a marca por plágio no fim de novembro.

Jacopo Raule/Getty Images
Ao final do desfile de primavera/verão 2020 da Versace, na Semana de Moda de Milão, Jennifer Lopez reviveu a lembrança de quase 20 anos do famoso Jungle Dress

 

Scott Gries/ImageDirect
A atriz e cantora usou o modelo original para ir ao Grammy de 2000. Na época, o look foi tão comentado que levou o Google a criar a ferramenta Google Imagens

 

Reprodução/Fashion Nova
Também em setembro, a marca Fashion Nova se inspirou na produção da grife italiana para criar uma fantasia de Halloween. Porém, foi processada por plágio pela Versace no fim de novembro

 

8. Forever 21 e Barneys New York pedem recuperação judicial
Enquanto marcas, celebridades e outros negócios triunfaram, algumas etiquetas passaram por momentos delicados. Grandes empresas, como a rede de departamento de luxo Barneys New York e a fast fashion Forever 21, pediram recuperação judicial nos últimos meses. As duas companhias recorreram ao Capítulo 11 do Código de Falências dos Estados Unidos.

A Barneys confirmou o pedido de proteção contra falência em agosto. Já no início de novembro, teve a venda autorizada para a empresa de licenciamento Authentic Brands Group. Com o acordo fechado, a rede encerrará as atividades na maioria das lojas, colocará as mercadorias em liquidação e terá o nome licenciado para a Saks Fitfh Avenue na América do Norte.

Para a Forever 21, a saída foi montar uma “reestruturação global”, com fechamento de 300 a 350 lojas ao redor do mundo. “Estamos confiantes de que este é o caminho certo para a saúde de nossos negócios a longo prazo. Quando concluirmos a reorganização, a Forever 21 será uma empresa mais forte e viável, e melhor posicionada para prosperar nos próximos anos”, anunciou a marca em carta aberta.

Alberto Pezzali/NurPhoto via Getty Images
A fast fashion Forever 21 pediu recuperação judicial e anunciou uma “reestruturação global”, com fechamento de 300 a 350 lojas ao redor do mundo

 

Drew Angerer/Getty Images
A rede de departamento Barneys New York também recorreu ao Capítulo 11 do Código de Falências dos Estados Unidos

 

Nicholas Hunt/Getty Images for Barneys New York via Getty Images
A rede fechará a maioria das lojas, colocará as mercadorias em liquidação e terá o nome licenciado para a Saks Fitfh Avenue na América do Norte

 

9. Grupo LVMH compra a Tiffany por US$ 16,2 bilhões
Este também foi o ano de uma das maiores transações feitas na história. No fim de novembro, o conglomerado de luxo LVMH confirmou um acordo de compra da joalheria norte-americana Tiffany & Co. por US$ 16,2 bilhões, após semanas de movimentação e uma oferta inicial de US$ 14,5 bilhões.

O grupo é dono de grandes casas de moda, como Louis Vuitton, Dior, Givenchy, Fendi e Celine. No segmento de relógios e joias, a holding detém etiquetas como Bulgari e Chaumet. A compra, segundo especialistas, é favorável a ambos os lados. A aquisição da Tiffany significa um grande passo para reforçar a presença da companhia na joalheria, sem falar em um maior investimento nos Estados Unidos.

“A entrada da Tiffany vai transformar a divisão de relógios e joias da LVMH e complementar a lista de 75 casas que compõem o portfólio do grupo”, diz um trecho do comunicado oficial.

Alex Tai/SOPA Images/LightRocket/ via Getty Images
A famosa joalheria Tiffany & Co. agora faz parte do conglomerado de luxo LVMH

 

Divulgação/Tiffany & Co.
O acordo de compra foi de US$ 16,2 bilhões e promete ser uma boa aposta para os dois lados

 

David Crotty/Patrick McMullan via Getty Images
Em fevereiro, a cantora Lady Gaga foi a terceira mulher a usar o famoso Diamante Tiffany, eternizado por Audrey Hepburn em fotos para o filme Bonequinha de Luxo (1961)

 

10. Enfim, a indústria da moda dá passos maiores rumo à diversidade e à inclusão
Assim como a sustentabilidade, o ano de 2019 também teve alguns destaques quando o assunto foi diversidade e inclusão. O São Paulo Fashion Week N47, por exemplo, teve modelos afrodescendentes como as principais recordistas de desfiles. Entre elas, a maranhense Amira Pinheiro.

Por falar em desfiles, a Semana de Moda de Nova York abriu espaço para modelos grávidas e plus size nas passarelas. Para completar, o brasiliense Sam Porto ficou conhecido como o primeiro homem trans a desfilar no SPFW, na edição 48.

Em agosto, a cearense Valentina Sampaio fez história ao ser a primeira mulher trans em uma campanha da Victoria’s Secret. A notícia chamou a atenção, já que a marca foi alvo de críticas depois de um comentário de teor transfóbico do ex-diretor de marketing.

Zé Takahashi/ FOTOSITE
A maranhense Amira Pinheiro foi recordista de desfiles no SPFWN47. Outras modelos negras também marcaram presenças significativas

 

Zé Takahashi/ FOTOSITE
Já na última edição, N48, o brasiliense Sam Porto fez história ao ser o primeiro homem trans a desfilar no evento

 

Zoey Grossman para Victoria’s Secret
A primeira mulher trans em uma campanha da Victoria’s Secret foi a cearense Valentina Sampaio

 

Faltam menos de duas semanas para o ano acabar, mas muita coisa ainda pode acontecer. Para não perder as novidades do mundo da moda, continue de olho nas atualizações diárias da coluna. Até a próxima!

 

Colaborou Hebert Madeira

SOBRE O AUTOR
Ilca Maria Estevão

Bacharel em psicologia pela Universidade Georgetown, em Washington D.C. (EUA). É a colunista de moda do Metrópoles e acompanha a movimentação na indústria fashion nacional e internacional. Além da curadoria de Ilca, o espaço tem a colaboração dos repórteres Rebeca Ligabue, Hebert Madeira, Danillo Costa e Sabrina Pessoa. Após passar por rigoroso processo de pesquisa, apuração e troca de ideias, as matérias são publicadas diariamente às 5h30, às 12h e às 15h. Às terças, quintas e aos domingos, o primeiro texto postado na coluna é uma reportagem especial.

Últimas notícias