Emoções animais: especialista revela se seu pet sente o mesmo que você

Especialistas explicam como diferentes espécies percebem, expressam e compartilham emoções

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Foto colorida de gato e cachorro fazendo pose em frente a câmera - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida de gato e cachorro fazendo pose em frente a câmera - Metrópoles - Foto: Freepik

A ideia de que apenas humanos sentem emoções complexas já não se sustenta diante das evidências científicas. Hoje, pesquisadores apontam que diferentes espécies — de mamíferos a aves — possuem capacidades emocionais e cognitivas sofisticadas, ainda que não idênticas às nossas.

Segundo a professora de Biologia Camila Braga, do Colégio Objetivo de Brasília, há um conjunto de fatores que ajuda a explicar essa proximidade emocional entre espécies. “Atualmente, várias espécies são reconhecidas pela alta complexidade cognitiva e emocional”, afirma.

Entre elas estão grandes primatas como chimpanzés, bonobos e orangotangos, além de golfinhos e elefantes, conhecidos por sua memória, cooperação e vínculos sociais.

Essa complexidade não é exclusiva de mamíferos. Aves como corvos e papagaios também surpreendem. Elas conseguem resolver problemas, usar ferramentas e até demonstrar compreensão básica de conceitos, o que indica um tipo de inteligência comparável à de alguns primatas.

A convivência com emoções humanas

No caso dos animais domésticos, como cães e gatos, a proximidade com humanos ampliou a capacidade de reconhecer emoções. Eles interpretam expressões faciais, tom de voz e até mudanças químicas no corpo humano.

Para o professor Victor Maciel, do Colégio Galois, essa percepção tem base biológica. “Partindo do princípio que existem similaridades entre os órgãos sensoriais humanos e de outros animais, a ciência já considera a existência de sensação de emoções em animais”, explica.

Além disso, a domesticação teve um papel importante. Ao longo do tempo, os humanos selecionaram animais mais sociáveis e sensíveis. Isso ajuda a entender por que cães, por exemplo, conseguem reagir de forma tão precisa ao estado emocional dos tutores.

foto colorida de cachorro "sorrindo" - Metrópoles.
Pets podem reagir à tristeza e ao estresse dos tutores

Segundo os especialistas, vários estudos mostram que animais podem demonstrar comportamentos associados a emoções complexas. Entre eles estão empatia, consolação e até respostas semelhantes ao luto. Camila Braga destaca que, embora seja difícil confirmar exatamente o que o animal sente, certos comportamentos são consistentes.

“Há registros de comportamentos compatíveis com respostas ao luto em diversas espécies sociais”, afirma Braga, citando elefantes que interagem com ossadas e primatas que carregam filhotes mortos por dias.

Já Victor Maciel reforça a existência de empatia ativa: “Foi observado em elefantes, primatas e cães que eles consolam membros do grupo que estão sofrendo, diminuindo seu próprio estresse ao ajudar”.

No caso dos chamados “ciúmes”, especialmente em cães, a ciência aponta uma explicação mais cautelosa. Esses comportamentos podem estar ligados à disputa por atenção e à manutenção de vínculos, e não necessariamente a uma emoção idêntica à humana.

Emoções ou instinto?

Uma dúvida comum é se sentimentos como raiva ou vingança realmente existem no reino animal. Para os especialistas, a resposta depende do tipo de emoção.

“Animais são sim capazes de sentir raiva. […] é uma emoção que acontece, é um sentimento relacionado a uma parte do sistema nervoso central que os animais têm também”, explica Victor Maciel. Já a vingança, segundo ele, exige planejamento e intenção prolongada — algo muito mais difícil de comprovar em animais.

Do ponto de vista evolutivo, as emoções não surgiram por acaso. Elas desempenham funções importantes para a sobrevivência, como fortalecer laços sociais, facilitar a cooperação e ajudar na resposta a ameaças.

Foto colorida de um gato cinza ocm cara de bravo - Metrópoles
Empatia e cooperação já foram observadas em diversas espécies

Camila Braga resume essa ideia ao afirmar que “as semelhanças entre respostas emocionais humanas e de outros animais indicam que emoções têm raízes evolutivas profundas”.

Essa visão também dialoga com as ideias de Charles Darwin, que já apontava semelhanças nas expressões emocionais entre humanos e outros animais, sugerindo uma origem comum.

Compreender que animais podem sentir e reagir emocionalmente muda a forma como nos relacionamos com eles. Não se trata apenas de afeto, mas também de responsabilidade.

A ciência ainda não afirma que animais sentem exatamente como nós. Mas as evidências mostram que eles percebem, reagem e, em muitos casos, compartilham estados emocionais de forma significativa.

No fim das contas, a pergunta talvez não seja mais se os animais sentem emoções — mas como essas emoções se manifestam em cada espécie.

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