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Saiba por que os tutores tendem a projetar emoções humanas nos cães
Interpretar as emoções dos cães da mesma forma que as humanas pode ter consequências negativas; entenda
atualizado
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Ao observar os animais de estimação no dia a dia, é comum que o tutor se questione o que se passa na cabeça dos pets. Os momentos de introspecção, alegria excessiva ou raiva podem acabar sendo colocados em diversas “caixinhas” interpretativas, em que os seres humanos imaginam quais emoções estão sendo experienciadas pelos cães.
Pensar que o seu animal de estimação está se sentindo sozinho, culpado ou enciumado é uma forma de colocar lentes humanas para fazer leituras sobre os comportamentos animais.
Segundo o psicanalista Artur Costa, é comum notar, tanto na experiência clínica quanto no cotidiano, que os tutores recorrentemente projetam emoções de solidão, carência afetiva e até mesmo culpa nos animais de estimação, “quase como se o animal fosse uma extensão da própria vida emocional”, reflete.
Apesar de inadequada, essa interpretação tem uma motivação. O psicanalista explica que, de forma inconscientemente, o ser humano tende a transferir para o outro aquilo que sente ou deseja. E os animais, justamente por não falarem, instigam ainda mais essa necessidade de encontrar respostas para determinadas ações, funcionando como uma tela em branco em que os tutores depositam as suas emoções.
Essa projeção é um mecanismo psíquico que mistura o afeto genuíno com a necessidade de encontrar um espaço considerado seguro para descarregar sentimentos. Costa ainda adiciona que uma das motivações para essa leitura é o ritmo acelerado e solitário da vida moderna. “Ela intensifica esse processo, fazendo com que os pets ocupem papéis que, antes, eram preenchidos por vínculos humanos”, lamenta o especialista.
Faz mal humanizar meu pet?
Existem pontos tanto positivos quanto negativos. Costa descreve que, no aspecto positivo, esse tipo de relação pode trazer conforto, companhia e estimular o cuidado responsável do tutor com o pet. Entretanto, quando a projeção é excessiva, o tutor pode acabar criando expectativas irreais com os cães, vendo nessa relação a necessidade de tratá-lo como humano.
Esse comportamento tem como resultado um desrespeito das necessidades próprias da espécie, além de gerar frustração e ansiedade tanto para o tutor quanto para o animal. “E pode levar a exageros, como superproteção ou humanização em excesso. O equilíbrio está em reconhecer o vínculo afetivo, sem esquecer que o animal tem uma natureza e linguagem próprias”, finaliza o especialista.








