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Coleira com IA pode traduzir emoções dos cães? Veja o que diz expert
O uso de inteligência artificial virou tendência nos últimos anos. Especialista explica se IA pode traduzir emoções dos cães pela coleira
atualizado
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Nos últimos anos, o uso de inteligência artificial virou algo quase rotineiro para muitas pessoas. Devido a praticidade da ferramenta, basta um clique e algumas tarefas, como resumir um texto, são concluídas quase que instantaneamente.
Na internet, é possível encontrar diversas imagens e vídeos feitos a partir de IA. Apesar da facilidade, também existem alguns riscos no uso, já que certos resultados podem ser imprecisos, falsos ou até perigosos. Esse é o caso das pessoas que vêm utilizando a ferramenta para “entender” os próprios cães.
Acredite se quiser, mas sim, existe uma coleira que promete traduzir as emoções dos cachorros. Em entrevista ao Metrópoles, André Cavalieri, especialista em comportamento canino, salienta que, na prática, esses equipamentos não traduzem, de fato, os sentimentos do animal, mas analisam padrões fisiológicos e comportamentais.
Algumas medições como frequência cardíaca, variabilidade do ritmo cardíaco, nível de atividade e mudanças sutis de movimento são captadas para explicar o estado do pet. “A partir desses dados, algoritmos de aprendizado de máquina conseguem identificar desvios e sinalizar possíveis alterações emocionais.”
A inteligência artificial é confiável?
André comenta que os indicadores mais confiáveis são a frequência cardíaca e a variabilidade da frequência (HRV). “Alterações consistentes nesses parâmetros costumam ser um dos primeiros sinais de desconforto emocional.”
Quando se trata do comportamento do cão, os sensores de movimento conseguem detectar desde os níveis de atividade, até mudanças bruscas na rotina. Nesse caso, a partir dos dados, é possível analisar graus de ansiedade, inquietação e estados de alerta excessivo, além de mudanças de padrão ao longo do tempo.

No entanto, o profissional acrescenta que a tecnologia ainda pode ser limitada, pois não consegue captar com precisão o que um cachorro está sentindo. “Emoções não são sinais diretos e universais, mas estados internos complexos que dependem de múltiplos fatores.”
“Os sensores conseguem medir dados objetivos, mas esses sinais não são exclusivos de uma única emoção. Sem o contexto, a intepretação se torna limitada. Além disso, cada cão possui um perfil individual, influenciado por genética, raça, experiências prévias, ambiente e aprendizado. Isso dificulta a ‘tradução emocional’ universal”, pontua o especialista da Dog Corner.
De forma geral, ele resume que apesar da tecnologia ser eficiente e identificar alterações de padrão e sinais de alerta, ainda depende da interpretação humana. “Funciona hoje como uma ferramenta de apoio ao bem-estar, e não como um tradutor completo.”
Riscos e cuidados
Segundo André, um dos principais riscos é o tutor acabar confiando demais na tecnologia e não observar o comportamento do pet. Se o dono passar a confiar, exclusivamente, nas métricas, ele acaba deixando passar sinais sutis importantes no dia a dia.

Além disso, a interpretação fora de contexto é outro ponto de atenção. “Um alerta de estresse, por exemplo, pode estar relacionado a fatores pontuais e passageiros, enquanto a ausência de alerta não significa, necessariamente, que o cachorro está emocionalmente bem”, diz o profissional.
André ainda acrescenta que a tecnologia permite um monitoramento contínuo, algo que o tutor ou profissional não consegue fazer o tempo todo. “Um alerta não deve ser interpretado como diagnóstico, mas como um convite para o humano observar melhor o contexto.”
De acordo com o especialista, o cuidado mais importante, nesse caso, é evitar decisões automáticas baseadas na inteligência artificial, como corrigir o cão ignorando as circunstâncias do momento. Outra orientação é não confiar em dados isolados, já que um indicador pode variar por fatores como clima, exercício e excitação positiva.
Por fim, o especialista recomenda utilizar a ferramenta como extensão da observação humana, e não como substituta. “Ela indica que algo está fora do padrão, mas a compreensão depende da observação direta, do histórico do cão, e, quando necessário, da orientação profissional”, conclui.










