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Risco! Se o seu pet for desse jeito, não leve-o a um bloco de Carnaval
Com a chegada da época de folia, muitos tutores levam o pet para os blocos de rua. Expert cita sinais claros de que um cão não deve ir
atualizado
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O final de janeiro traz grandes expectativas para os brasileiros: o Carnaval. Com a época de folia se aproximando, alguns blocos acontecem bem antes dos dias de feriado e já dão aquele gostinho de animação. Mesmo sendo um período de muita alegria para os humanos, há quem sofra com tanta agitação: os pets.
Nas festas de rua, muitos tutores acabam levando seus pets junto, mas nem sempre é uma boa ideia. Barulho excessivo, calor intenso, multidões e grandes mudanças na rotina podem impactar o bem-estar físico e emocional dos peludos. Ou seja, o que deveria ser um momento feliz, pode representar, na verdade, um risco.
Cleber Santos, especialista em comportamento animal, comenta que, depois do Ano-Novo, o Carnaval é a data mais estressante para cães e gatos. “O tutor precisa entender que o que é diversão para ele pode ser uma verdadeira tortura para o animal. Falta empatia em muitas situações. O pet não escolhe estar ali.”
Em entrevista ao Metrópoles, o profissional ainda listou cinco sinais claros de que os caninos não devem ir ao bloco — mesmo os que são para pets.
Confira!
Sensibilidade extrema a sons altos
Cleber afirma que os cães têm uma audição muito aguçada. Nos bloquinhos, apitos, caixas de som, batuques e gritos podem causar estresse intenso, medo e até danos auditivos. “Animais que já apresentam reações negativas a fogos de artifício ou trovões são os mais vulneráveis, pois entram em estado de alerta rapidamente.”
Segundo ele, mesmo os locais que são próximos aos blocos não são recomendados. Por não entender a origem do barulho, o pet não entende que aquilo é temporário e fica em alerta a todo momento, o que provoca impactos emocionais e até comportamentais.
Sinais de estresse, medo ou tentativa de fuga
Muitos bichinhos já são naturalmente estressados e medrosos. Ao serem expostos a um lugar com tantos estímulos, eles podem apresentar tremores, respiração ofegante, vocalização, agressividade e tentativas de fuga. “Muitos acidentes graves acontecem porque o pet está tentando apenas sobreviver ao medo.”

“Em bloquinhos, é comum haver pessoas oferecendo petiscos sem autorização do tutor. Alimentos como chocolate, doces, carnes temperadas, ossos, frituras e até bebidas alcoólicas podem ser ingeridos rapidamente, causando vômitos, diarreia, intoxicação e, em casos mais graves, morte. O animal come por impulso, não por escolha”, detalha.
No entanto, o alerta não serve só para os tutores desses pets. Mesmo com um canino que costuma ser tranquilo, não é possível prever como ele reagirá a essa situação. Por conta disso, é preciso sempre ter atenção com os sinais apresentados.
Risco de hipertermia e desidratação
De forma geral, os cachorros têm, em média, dois graus a mais de temperatura corporal do que os seres humanos. “O calor excessivo, somado ao asfalto quente, à aglomeração e à dificuldade de acesso à água, pode levar rapidamente à hipertermia e à desidratação.”

Ou seja, se para os humanos já é uma época muito quente, para os peludos é pior ainda. Cleber chama atenção, principalmente, para raças como o spitz alemão, que pode ter queda de glicose, desmaios e até convulsões em situações de calor intenso associado ao estresse.
Perigos invisíveis
Outro perigo nos locais de folia são vidros quebrados, lixo no chão, restos de comida, bebidas alcoólicas derramadas e objetos pontiagudos. De acordo com o especialista, o número alto de pessoas também aumenta o risco de pisoteamento e machucados.
“Cortes nas patas, perfurações, ferimentos na boca e infecções são ocorrências comuns nesse tipo de ambiente. Muitas lesões só são percebidas horas depois, quando o pet já está mancando ou sentindo dor”, pontua o profissional da Comportpet.

Ou seja, se o seu amigo de quatro patas ingere tudo que vê pela frente e é muito pequeno, talvez não seja uma ideia segura levá-lo aos blocos. “Fantasias, adereços e acessórios também podem causar dermatites, feridas, assaduras e desconforto térmico”, completa.
Mudança de rotina
Para alguns animais, muita movimentação dentro de casa pode deixá-los com o emocional abalado. No caso daqueles que vivem em ambientes tranquilos, frequentar um bloco de Carnaval é ainda mais estressante. “Podem se sentir acuados, inseguros ou reagir de forma defensiva ao tentar proteger o território.”
“Muitas casas ficam vazias o ano inteiro e, de repente, recebem 20 pessoas para uma festa de Carnaval, por exemplo. O animal não está preparado emocionalmente para essa mudança brusca de rotina e estímulos, o que pode gerar ansiedade, medo e comportamentos indesejados”, diz.

Afinal, como proteger o pet?
Para ajudar quem quer curtir o Carnaval e manter o pet em segurança, Cleber citou alguns cuidados. “Se a ideia for curtir fora de casa, o mais seguro é deixá-lo em um ambiente preparado para isso. Creches, hotéis pet ou serviços de day use estruturados oferecem supervisão, rotina e cuidados adequados.”
Já para os foliões e “pais” de animal de estimação que escolhem o conforto da própria casa, o ideal é tentar reduzir os estímulos. Manter portas e janelas fechadas, para reduzir ruídos e evitar fugas, e abafar o som da rua com televisão ligada, música ambiente e barulho do ventilador são algumas das dicas.
Por último, é importante criar um espaço seguro para o pet, com caminhas, brinquedos e água sempre disponíveis.
“O Carnaval pode ser divertido para todos, mas só quando o tutor entende que o bem-estar do animal vem antes da fantasia ou da foto. Amor também é saber deixá-lo em paz e fazer escolhas responsáveis”, conclui.








