
É o bicho!Colunas

Seu pet te conforta quando você chora? Descubra o que está por trás
É comum perceber mudanças no comportamento dos pets quando não estamos bem. Veterinário revela se eles entendem quando os humanos choram
atualizado
Compartilhar notícia

Todo mundo que tem um pet, seja cão ou gato, sabe muito bem como é uma conexão única. Às vezes, o vínculo é tão forte que eles parecem até nos entender em tudo — até mais que qualquer outro ser humano. Por isso, quem vive grudado com um bichinho, certamente, já passou pela experiência de estar triste, ou até chorando, e ser acalentado por um chamego de quatro patas.
Sem dúvidas, estar em um momento difícil e perceber que o animal fica mais perto, sobe no colo, dá lambidas e chama para brincar é muito significativo. No entanto, a dúvida que fica é: será que eles de fato entendem que o tutor não está bem ou há outra explicação para os comportamentos?
Clique aqui para seguir o canal do Metrópoles Vida&Estilo no WhatsApp
A explicação
Bruno Divino, médico-veterinário, explica que ambos os pets são capazes de perceber alteração no estado emocional dos tutores. “Os cães, por terem sido domesticados há cerca de 15 mil anos com seleção específica para a convivência humana, desenvolveram habilidades sofisticadas de leitura de sinais sociais humanos.”
Segundo ele, esses animais conseguem captar mudanças na linguagem corporal, tom de voz, expressões faciais e até alterações químicas no odor corporal relacionadas ao estresse, como variações nos níveis de cortisol.
“Em vínculos fortes, observamos que o animal atua como uma base segura para o tutor e vice-versa. Esses animais apresentam maior sensibilidade às nuances emocionais, respondem mais prontamente às tentativas de busca de conforto e podem, inclusive, apresentar comportamentos proativos de consolo”, afirma o especialista do Hospital Veterinário do UniArnaldo Centro Universitário.
Embora se comportem de formas diferentes, os gatos têm uma percepção semelhante. “Apesar de terem uma domesticação mais recente e um perfil comportamental mais independente, também demonstram sensibilidade às emoções dos tutores.”

Bruno comenta que estudos recentes mostram que felinos reconhecem expressões faciais humanas e alteram seu comportamento em resposta ao emocional do dono. Ele ainda acrescenta que essa percepção está relacionada à capacidade de formar vínculos sociais e responder a estímulos ambientais importantes para sobrevivência e bem-estar.
Quais são os sinais?
Inegavelmente, as duas espécies, que são as mais comuns dentro dos lares, são muito diferentes. Embora amáveis da mesma forma, os comportamentos em uma situação como essa podem ser totalmente opostos devido as personalidades. Confira os sinais que cães e gatos apresentam diante de um tutor que está chorando:
Cachorros
- Manter contato corporal (encostar no tutor, apoiar a cabeça no colo);
- Olhar fixamente e por períodos prologados nos olhos;
- Lamber mãos ou rosto;
- Vocalizar suavemente com choramingos ou gemidos baixos;
- Ficar em postura corporal receptiva, com cauda em posição neutra ou baixa;
- Aumento do comportamento de seguir o tutor pela casa;
- Alguns podem trazer brinquedos como forma de oferecer conforto ou tentar iniciar interação.
Gatos
- Aumento da proximidade física, sem necessariamente buscar contato direto;
- Ronronar próximo ao tutor;
- Massagem com as patas (o famoso “amassar pãozinho”);
- Esfregar-se mais frequentemente;
- Permanecer no mesmo ambiente observando à distância;
- Reduzir os comportamentos de brincadeira ou caça;
- Alguns podem apresentar comportamento mais “grudento” que o habitual, dormindo próximo ou sobre o tutor.
O que as emoções do tutor provocam no pet
Assim como ver o pet mais cabisbaixo ou doente afeta os humanos, o contrário também acontece. “Do ponto de vista fisiológico, animais que convivem com tutores sob estresse crônico podem apresentar elevação dos próprios níveis de cortisol, caracterizando um fenômeno de contágio emocional ou estresse por empatia.”

O profissional alerta para sintomas que eles podem apresentar ao sofrer impactos. São alguns: aumento de ansiedade, comportamentos compulsivos, agressividade ou retraimento social, alterações dermatológicas e do sistema imunológico, problemas gastrointestinais, diminuição do apetite, alteração no sono e redução da atividade exploratória.
“A qualidade do vínculo se constrói através de interações positivas, afetivas, respeitosas e que atendam às necessidades etológicas de cada espécie. Do ponto de vista clínico, sempre oriento que a saúde emocional do tutor e do animal são interdependentes, e cuidar de ambas é essencial para o bem-estar do sistema familiar como um todo”, salienta.
Ele ainda reforça que o ambiente emocional do lar funciona como um sistema integrado. “Animais são extremamente sensíveis às dinâmicas familiares, e ambientes com tensão constante podem predispor ao desenvolvimento de distúrbios comportamentais que, muitas vezes, requerem intervenção médica-veterinária”, conclui.


















