Antes dos dinossauros: âmbar mais antigo do mundo é achado na China
O âmbar é a resina produzida pelas árvores quando se sentem ameaçadas. Ela pode armazenar por milhões de anos materiais biológicos

Em uma camada de carvão encontrada na região de Xinjiang, extremo noroeste chinês, pesquisadores internacionais identificaram fragmentos do âmbar mais antigos do mundo. Datados do Devoniano Médio, um período ocorrido há 385 milhões de anos, os pedaços microscópicos são 65 milhões de anos mais antigos do que o surgimento dos primeiros dinossauros.
Os âmbares nada mais são do que resinas produzidas pelas árvores quando elas se sentem ameaçadas. Eles são um tipo de mecanismo natural de defesa. Porém, ao serem excretados, podem preservar por milhares de anos fragmentos, como pedaços de animais ou plantas.
O achado foi liderado por cientistas da da Academia Chinesa de Ciências, em parceria com pesquisadores norte-americanos e alemães. Os resultados foram publicados na revista Science Advances nessa quarta-feira (15/7).
Em entrevista ao portal ScienceAlert, o primeiro autor do estudo, Cihang Luo, declarou que apesar de ser o mais antigo, achar o âmbar teve outro ponto de maior destaque: a capacidade de uma árvore tão primitiva produzir resina.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Nosso âmbar provém do Devoniano Médio, antes do surgimento e diversificação das plantas com sementes. Isso significa que uma planta vascular sem sementes já era capaz de produzir resina terpenoide quimicamente complexa”, destaca Luo.
A camada de carvão foi encontrada na Formação Hujiersite, situada na região chinesa. Assim que analisada, foram identificados fragmentos na estrutura que brilhavam com o uso de luz ultravioleta. Testes químicos posteriores confirmaram que se tratava de pedaços de âmbar de cerca de 385 milhões de anos, o exemplar mais antigo até o momento.
Não foi possível descobrir de qual família pertencia a árvore, mas acredita-se que incêndios florestais e fungos parasitas foram os responsáveis para ela ativar o mecanismo natural de defesa e produzir a resina. Os pesquisadores apontam que há chances de haverem mais âmbares primitivos por aí.
“Os locais mais promissores para pesquisa seriam os carvões ricos em matéria orgânica do Devoniano Inferior, os xistos carbonosos e os sedimentos de granulação fina que preservam cutículas vegetais abundantes e que sofreram alteração térmica relativamente baixa”, afirma Luo.



