Aracnídeo de 35 milhões de anos é encontrado preservado em âmbar

Fóssil revela espécie que viveu na Europa quando a região tinha clima mais quente e a distribuição de aracnídeos era diferente da atual

atualizado

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Acta Palaeontologica Polonica
Reconstrução artística do opilião ortolasmatino do Eoceno Balticolasma wunderlichi. Metrópoles
1 de 1 Reconstrução artística do opilião ortolasmatino do Eoceno Balticolasma wunderlichi. Metrópoles - Foto: Acta Palaeontologica Polonica

Cientistas identificaram uma nova espécie de opilião – um tipo de aracnídeo-  preservada em âmbar com cerca de 35 milhões de anos. Os fósseis foram encontrados em duas peças distintas de resina fossilizada provenientes da Ucrânia e da região do Báltico, no norte da Europa.

A espécie recebeu o nome de Balticolasma wunderlichi e pertence a um grupo de opiliões chamado Ortholasmatinae. O estudo foi publicado na revista científica Acta Palaeontologica Polonica em 18 de março.

Os opiliões fazem parte do grupo dos aracnídeos, o mesmo que inclui aranhas e escorpiões, mas têm características próprias, como corpo compacto e pernas longas. Hoje, os representantes desse grupo específico não existem mais na Europa.

A descoberta indica que, no passado, esses animais estavam distribuídos por uma área muito maior do que a atual.

“A descoberta de um opilião ortolasmatino em depósitos de âmbar europeus nos surpreendeu. Parentes desses animais hoje são encontrados apenas no Leste Asiático e na América do Norte e Central. Isso indica que, há 35 milhões de anos, esses opiliões estavam distribuídos por uma área muito maior do hemisfério norte”, destaca o paleontólogo Christian Bartel, das Coleções Estaduais de História Natural da Baviera, na Alemanha, e principal autor do estudo, em comunicado.

Detalhes revelados por tomografia

Para analisar os fósseis, os pesquisadores utilizaram microscopia óptica e tomografia computadorizada. As técnicas permitiram observar as estruturas do animal através do âmbar e reconstruir digitalmente sua anatomia em três dimensões.

As imagens revelaram detalhes do corpo do aracnídeo, incluindo cristas ornamentadas nas costas, padrões em forma de rede na região da cabeça, peças bucais complexas e oito pernas alongadas. O segundo par de pernas se mostrou significativamente mais comprido que os demais.

Os exames também permitiram identificar características importantes para a classificação da espécie, como a estrutura dos órgãos reprodutivos. Um dos fósseis corresponde a um indivíduo masculino encontrado em âmbar do Báltico, enquanto o outro é um exemplar feminino preservado em âmbar da região de Rovno, no noroeste da Ucrânia.

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Fóssil balticolasma wunderlichi (fêmea) do âmbar ucraniano de Rovno
Modelo 3D do opilião ortolasmatino macho. Barra de escala: 0,5 mm.
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Modelo 3D do opilião ortolasmatino macho. Barra de escala: 0,5 mm.

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Fóssil balticolasma wunderlichi (fêmea) do âmbar ucraniano de Rovno
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Fóssil balticolasma wunderlichi (fêmea) do âmbar ucraniano de Rovno

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Clima e distribuição no passado

Durante o período Eoceno, quando esses animais viveram, o norte da Europa tinha um clima muito diferente do atual. A região entre o Mar Báltico e o Mar Negro era mais quente e possivelmente subtropical, o que favorecia uma fauna diversa de insetos e outros artrópodes preservados em âmbar.

O novo achado ajuda a entender melhor a história evolutiva dos opiliões. Esses fósseis são os primeiros registros conhecidos do grupo Ortholasmatinae no registro fóssil, o que fornece pistas importantes sobre como esses aracnídeos se espalharam pelo planeta ao longo do tempo.

“O âmbar do Báltico é conhecido pela grande diversidade de fósseis que preserva e frequentemente revela espécies que já não existem na Europa. Encontrar essa nova espécie também na Ucrânia mostra que as faunas dessas duas regiões eram muito semelhantes naquela época”, afirma o paleontólogo Jason Dunlop, do Museu de História Natural de Berlim e coautor do estudo.

Com a descoberta, os pesquisadores acreditam que será possível reconstruir com mais precisão a história evolutiva desse grupo de aracnídeos. Ainda assim, os cientistas ressaltam que novas descobertas de fósseis serão necessárias para entender completamente como esses animais se distribuíram pelo hemisfério norte no passado.

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