Fósseis revelam que anfíbios gigantes viveram há 250 milhões de anos
Fósseis foram encontrados entre as décadas de 1960 e 1970 mas, como foram extraviados, análise só começou a ser feita em 2024
atualizado
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Ao analisar fósseis encontrados no noroeste da Austrália, cientistas descobriram que há 250 milhões de anos a Terra era habitada por dois anfíbios marinhos gigantes. Ambos foram achados na região de Kimberley nas décadas de 1960 e 1970, mas foram extraviados anos depois, dificultando análises mais detalhadas que só foram feitas a partir de 2024.
Os animais pertencem aos gêneros Erythrobatrachus e Aphaneramma e estiveram presentes em nosso planeta na Era Mesozoica (também chamada de Era dos Dinossauros).
Os fósseis fazem parte dos primeiros vertebrados marinhos com membros da Terra. Eles se tornaram predadores aquáticos dominantes após a extinção em massa ocorrida na transição entre os períodos paleozoico e mesozoico.
“Os tetrápodes emergiram como predadores marinhos dominantes durante o início do Triássico, com os temnospondilos trematossaurídeos representando um dos primeiros grupos a se irradiar globalmente após a extinção em massa do Permiano-Triássico”, escrevem os autores no estudo.
O trabalho foi liderado pelo Museu Sueco de História Natural, em parceria com o Museu da Austrália Ocidental e universidades norte-americanas. Os resultados foram publicados nesse domingo (22/2) na revista Journal of Vertebrate Paleontology.
Detalhes dos anfíbios gigantes
Assim que foram descobertos há pouco mais de 60 anos, os pesquisadores apontaram que os fragmentos encontrados pertenciam a uma única espécie, a Erythrobatrachus noonkanbahensis. Ela era do grupo dos temnospondilos trematossaurídeos, animais parentes das salamandras e rãs atuais, mas podendo atingir até dois metros de comprimento e tendo uma aparência mais parecida com os crocodilos.
No entanto, a nova análise revelou que os ossos eram de dois gêneros distintos de trematossaurídeos: Erythrobatrachus e Aphaneramma.
Investigações de alta resolução no primeiro fóssil mostram que o crânio tinha cerca de 40 cm e era largo. Já o Aphaneramma tinha o tamanho craniano parecido, mas o focinho era longo e estreito, adaptado para caçar peixes pequenos. Apesar de nadarem em águas abertas e viverem no mesmo ambiente, ambos não disputavam as mesmas presas.
Enquanto o Erythrobatrachus só foi identificado na Austrália, outros exemplares fósseis de Aphaneramma já foram descritos no Oceano Ártico escandinavo, partes da Rússia, no Paquistão e em Madagascar. A hipótese é que o gênero teve várias funções ecológicas e se espalhou amplamente pela Terra.
Após as descobertas, os fósseis foram devolvidos às autoridades australianas, que irão decidir para onde irão os fragmentos.
