Saiba o que os fósseis podem revelar sobre hábitos dos animais antigos
Com o avanço das técnicas para o estudo de fósseis, pesquisadores têm conseguido revelar cada vez mais detalhes sobre animais antigos
atualizado
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Se você pensa que a morte acaba com história da vida, está muito enganado. É partir de restos mortais, como ossos, dentes, marcas e excrementos, que arqueólogos e paleontólogos conseguem estudar os hábitos dos animais do passado mesmo sem ter um exemplar vivo para observá-lo.
Através de técnicas que foram avançando com o passar do tempo, pesquisadores encontram os mais variados comportamentos, dietas e rotinas entre os bichos de antigamente. Por exemplo, recentemente, por meio de fósseis, eles encontraram evidências do que pode ter sido o primeiro zoológico da China, um achado que chamou a atenção da comunidade científica.
Para encontros assim, é necessário o uso de técnicas minuciosas para escavar, além de um pouco de sorte para se deparar com um fóssil bem preservado.
Dependendo do estado de conservação, é possível descobrir muitos detalhes, incluindo o formato do corpo, hábitos alimentares, locomoção, similaridades e diferenças com outros exemplares, suas mudanças ao longo do tempo e até como foi a extinção.
“Observa-se o formato do crânio e como ele se encaixa na coluna vertebral (no caso dos mamíferos), a posição dos membros e o formato dos ossos, que podem indicar diferentes formas de locomoção, por exemplo. Os dentes também são muito importantes para determinar que tipo de alimento os animais estavam consumindo”, explica a arqueóloga Gabriela Mingatos, do Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos da Universidade de São Paulo (USP).
A especialista explica que para o fragmento ser considerado um fóssil, ele precisa passar por uma fossilização, que ocorre quando processos químicos e físicos ajudam a preservar o corpo do animal, o tornando “petrificado”.
Geralmente, os restos são achados em ambientes favoráveis à preservação dos corpos, como desertos ou ambientes muito gelados.
Avanço das tecnologias ajuda na investigação de fósseis
Assim como em outras áreas, o avanço da tecnologia ajudou bastante a tornar as análises de vestígios fósseis pelo mundo mais completas. “As tecnologias modernas revolucionaram completamente a paleontologia no século 21”, exalta a paleontóloga Mírian Pacheco, professora do Laboratório de Paleobiologia e Astrobiologia, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no estado de São Paulo.
Entre as principais técnicas utilizadas pelos pesquisadores atualmente, estão:
- Tomografia computadorizada: é uma técnica não invasiva e que permite a visualização de estruturas internas do animal sem precisar danificar o fragmento encontrado;
- Microscopia: outra técnica também não invasiva e que ajuda a observar detalhes invisíveis a olho nu, ajudando a revelar a biologia, dieta, ambiente e história evolutiva do animal;
- Química isotópica: auxilia a revelar atributos sobre a vida, dieta, ambiente e idade do animal, mas é mais invasiva que as outras.

Apesar do avanço, Mírian revela que o Brasil ainda não conta com equipamentos de ponta essenciais para os estudos dos animais antigos.
“Dependemos muito do avanço e do acesso a técnicas de ponta para investigarmos morfologia, química e outros aspectos que podem ajudar a reconstituir dieta, modo de vida e ecologia, por exemplo. Nem todos os cientistas, em especial os brasileiros, têm acesso a esse tipo de abordagem”, diz a paleontóloga.
A importância do estudo dos fósseis
Além de descobrir as características dos animais do passado, o estudo dos fósseis revela mais detalhes sobre como era o modo de vida e as evoluções até chegarem aos exemplares atuais. Investigações sobre primatas e mamíferos também podem ajudar a entender a própria história evolutiva dos humanos.
“Uma forma mais mórbida, porém, não menos informativa de entender os fósseis é a de que, assim como em qualquer cena de crime bem investigada, ‘os corpos falam’. Só precisamos saber fazer as perguntas certas: ‘Em que condições esse organismo morreu? O que causou a morte? Como ele viveu? O que ele comeu no café da manhã?’ Perguntas certas fazem a morte falar sobre a vida”, afirma Mírian.
Para Gabriela, a tendência é que no futuro as técnicas que já existem avancem ainda mais e novas descobertas sobre processos naturais da Terra e seus desdobramentos sejam realizadas. “Ao conhecer melhor esses processos, podemos estimar possíveis situações que possam ocorrer com o nosso planeta”, finaliza a arqueóloga.
