Método inovador promete facilitar a extração de terras raras do carvão
As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos importantes para a produção de tecnologias, como carros elétricos e turbinas eólicas
atualizado
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Cientistas norte-americanos desenvolveram um novo método para facilitar a extração de terras raras de rejeitos da mineração de carvão. Os materiais presentes nos fragmentos são essenciais para produzir ímãs de alta potência, carros elétricos e turbinas eólicas.
Apesar da nomenclatura, as terras raras não são um lugar físico, mas sim um grupo de 17 elementos químicos (17 lantanídeos, mais escândio e ítrio) importantes para a criação de tecnologias modernas presentes em nosso cotidiano. Por isso, áreas recheadas delas são tão cobiçadas.
Além disso, não é que sejam difíceis de achar, mas o grande problema das terras raras é a dificuldade de extração e purificação delas – algo que o método criado pelos pesquisadores pretende mudar.
A criação liderada por pesquisadores da Northeastern University, nos Estados Unidos, teve os resultados publicados na revista científica Environmental Science & Technology em meados de outubro.
Como funciona o método
O foco dos pesquisadores foram os rejeitos do carvão, um material composto por rocha fina moída, água e partículas de carvão. Apesar do alto potencial de reaproveitamento, eles são considerados um tipo de lixo industrial e acabam sendo descartados em aterros sanitários para evitar contaminação ambiental.
O novo modo de extração é dividido em duas etapas principais: na primeira, os rejeitos são cozidos em um solução alcalina e aquecidos por micro-ondas; em seguida, um tratamento realizado com ácido nítrico consegue separar as terras raras do restante da rocha, facilitando a retirada do material alvo.
“Os resultados mostram que o pré-tratamento alcalino de rejeitos de carvão antes da digestão ácida influencia significativamente a eficiência da extração de ETR (Elementos de Terras Raras), com extração mínima na solução alcalina”, afirmam os pesquisadores no artigo.
As técnicas anteriores não conseguiam realizar com eficácia a remoção das terras raras dos minerais firmes que envolviam os materiais. Com a combinação de duas etapas, a estrutura em volta se altera e os rejeitos de carvão ficam mais porosos.
“Na verdade, o que estamos fazendo é alterar a estrutura sólida desse material”, explica uma das autoras do estudo, Damilola Daramola, em comunicado.
Técnica para extração das terras ainda enfrenta ressalvas
Apesar dos resultados promissores, ainda há ressalvas para colocar o novo método como uma solução definitiva que facilitará a extração das terras raras.
Primeiramente, mesmo com a eficácia da técnica, ela ainda é cara, o que dificultaria sua disseminação. Também é importante lembrar que nem todos os rejeitos de carvão espalhados pelo mundo possuem a mesma composição, exigindo uma adaptação do processo de caso a caso.
Por fim, a nova maneira de extração privilegia apenas as terras raras e acaba “esquecendo” outros elementos importantes presentes no rejeito, como o magnésio.
No entanto, a descoberta representa uma no luz no caminho a ser seguido por outros cientistas em busca de técnicas eficazes e mais baratas para a retirada e exploração das terras raras.
