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Terras raras: o que são e por que despertam o interesse dos EUA

Reserva brasileira de terras raras é alvo de interesse dos EUA em meio a impasse comercial entre os países

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Foto colorida com três pedras de neodímio, elemento de terras raras - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida com três pedras de neodímio, elemento de terras raras - Metrópoles - Foto: RHJ/ Getty Images

Em meio à crise instalada entre Estados Unidos e Brasil, o país norte-americano tem demonstrado interesse nos minerais críticos e estratégicos (MCEs) brasileiros, especialmente os chamados “terras raras”. Contudo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou que os minerais estratégicos brasileiros, como o lítio e o nióbio, devem ser protegidos, pois “são do povo brasileiro”.

“Temos todo o nosso petróleo para proteger. Temos todo o nosso ouro para proteger. Temos todos os minerais ricos que vocês querem para proteger. E aqui ninguém põe a mão. Este país é do povo brasileiro”, afirmou Lula, na quinta (24/7).

Segundo o Ministério de Minas e Energia (MNE), o Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, o que representa 25% do total delas.

Qual a importância das terras raras?

As terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos essenciais para diversos produtos modernos — de smartphones e televisores a câmeras digitais e LEDs. Apesar de usados em pequenas quantidades, são insubstituíveis.

O uso mais importante dessas substâncias está na fabricação de ímãs permanentes. Potentes e duráveis, esses ímãs mantêm suas propriedades magnéticas por décadas. Com eles, é possível produzir peças menores e mais leves, algo essencial por exemplo, para turbinas eólicas e veículos elétricos.

Esses elementos também são fundamentais para a indústria de defesa. Estão presentes em aviões de caça, submarinos e equipamentos com telêmetro a laser. Justamente por essa relevância estratégica, o valor comercial é elevado.

O quilo de neodímio e praseodímio — os mais usados na produção de ímãs — custa cerca de 55 euros (R$ 353). Já o de térbio pode ultrapassar 850 euros (R$ 5.460). Para comparação, o minério de ferro custa cerca de R$ 0,60 o quilo.

Praticamente todas as grandes inovações da atualidade dependem de minerais críticos. É justamente por isso que as maiores potências do mundo têm se movido para garantir acesso.

Apesar do nome, as terras raras não são exatamente raras e estão espalhadas por todo o mundo. O desafio é encontrar depósitos onde a extração seja economicamente viável.

Atualmente, 70% da produção global vem da China, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). A principal mina é Bayan Obo, no norte do país. Ela reúne enormes quantidades de todos os elementos usados em ímãs permanentes e supera em larga escala depósitos como Monte Weld, na Austrália, e Kvanefjeld, na Groenlândia.

Onde elas estão no Brasil?

A presença dos minerais estratégicos em solo brasileiro tem despertado cada vez mais atenção de governos e empresas ao redor do mundo. O país possui vastas reservas de recursos considerados cruciais para o futuro da economia global — entre eles, o nióbio, o lítio, o grafite, o cobre, o cobalto, o urânio e os chamados elementos terras raras. Esses minerais estão no centro das transformações tecnológicas e energéticas do século 21.

O Brasil ainda tem outro trunfo: além das grandes reservas naturais, o país tem vantagens comparativas importantes, como matriz energética limpa, território estável, tradição mineradora e conhecimento técnico.

Estudos apontaram indícios de reserva estratégica de minerais na Bacia do Parnaíba, que abrange áreas dos estados do Maranhão, Piauí e Ceará. Além disso, há Minaçu, em Goiás, que tem depósito de terras raras em argila iônica. A região é a única a produzir minerais estratégicos em escala comercial fora da Ásia.

O Brasil reivindica uma ilha submersa do tamanho da Espanha, localizada a cerca de 1.200 km da costa do Rio Grande do Sul. Trata-se da Elevação do Rio Grande (ERG), uma formação geológica que o país quer reconhecer como parte do seu território junto à Organização das Nações Unidas (ONU).

Análises geológicas indicam que essa formação submersa é uma continuação natural do território continental brasileiro. Pesquisas da USP mostram que o solo da região é geologicamente semelhante ao do interior de São Paulo. Além disso, a área é rica em minerais estratégicos, como as terras raras.

Interesse dos EUA

Em meio ao impasse das tarifas impostas por Trump, o governo foi informado de que os Estados Unidos querem acesso aos minerais estratégicos.

O encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, recebeu na quarta-feira (23/7) os representantes do Instituto Brasileiro de Mineração. Segundo o instituto, os Estados Unidos estão interessados em realizar acordos com o Brasil para a aquisição de minerais considerados estratégicos.

O presidente do Ibram, Raul Jungmann, afirmou que Escobar repetiu o interesse dos EUA no setor mineral brasileiro — algo que já havia sido mencionado em encontro anterior, há cerca de três meses.

“O que ele falou é que os EUA tinham interesse nos MCEs — o que, aliás, ele já tinha nos falado há três meses”, relatou Jungmann, que foi ministro da Defesa e da Segurança Pública no governo Michel Temer.

A posição de especialistas é de que isso pode mudar o rumo da negociação sobre as taxas. O governo Lula, no entanto fez críticas. Em um evento, Lula criticou o interesse declarado dos Estados Unidos nos minerais estratégicos brasileiros, como o lítio e o nióbio e disse que “aqui ninguém põe a mão”.

O governo norte-americano, recentemente, demonstrou esse mesmo interesse em troca de financiar apoio a Ucrânia, que está em guerra com a Rússia há três anos.

Os países assinaram um acordo estratégico que prevê a criação de um fundo conjunto para a exploração de minerais críticos, como lítio, titânio, grafite e urânio, visando fortalecer a economia ucraniana e reduzir a dependência ocidental da China no fornecimento desses insumos.

Preocupação de Trump

Os EUA se preocupam com o monopólio da China, já que não só a maior reserva está no país, como o refino. Depois de extraídos, os elementos passam por processos complexos de separação e refino até se tornarem compostos utilizáveis. Essa etapa é dominada pela China, que lidera a produção mundial de ímãs.

O controle é ainda maior em relação a certos elementos. Os mais leves — com exceção de neodímio e praseodímio — são mais abundantes e fáceis de extrair. Mesmo assim, a União Europeia importa de 80% a 100% desse grupo da China. Para os elementos mais pesados, a dependência chega a 100%.

O domínio chinês acendeu alertas no Ocidente. Nos últimos anos, EUA e UE começaram a formar reservas estratégicas de terras raras e outros materiais críticos.

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