Saiba o que são terras raras, a importância e onde estão no Brasil
Atualmente, o Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China. Entenda a relevância delas
atualizado
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No noticiário atual, é cada vez mais comum escutar o termo “terras raras”. Mas você sabe o que ele quer dizer? Apesar do nome, elas não são um lugar físico, mas sim um grupo de 17 elementos químicos (17 lantanídeos, mais escândio e ítrio) essenciais para a criação de tecnologias modernas que estão presentes em nosso cotidiano ou não.
Através delas, somos capazes de produzir produtos tecnológicos comuns no dia a dia, incluindo computadores, smartphones, tablets, televisões e motores de carros elétricos.
Na saúde, as terras raras são essenciais para máquinas de ressonância magnética e lasers cirúrgicos. Enquanto que na atividade industrial, são matérias-primas de ímãs de alta potência, catalisadores de petróleo e polimento de vidros.
Além do papel primordial em nosso cotidiano, as terras raras são uma ótima alternativa para realizar uma transição energética mais responsável ambientalmente. O grupo de minerais ajuda a desenvolver ímãs de alta potência, um componente essencial para o funcionamento de turbinas para a produção de energia eólica e carros elétricos.
“Eles são metais chave para o desenvolvimento de tecnologias que focam em minimizar impactos humanos no planeta”, aponta o geólogo Ycles Campos Mesquita, mestrando da Universidade de Brasília (UnB).
Elas são realmente raras?
Apesar da nomenclatura passar a ideia de que são difíceis de encontrar, a realidade é completamente diferente: as terras raras são fáceis de achar, o problema está na extração.
“Os minerais não são exatamente ‘raros’ na crosta terrestre, mas são muito difíceis de encontrar em concentrações puras, o que torna a extração complexa e cara, principalmente em regiões com dificuldades em demandas hídricas ou de complexidade ambiental elementar, biomas sensíveis e rugosidade geopolítica”, explica o professor de geografia Flávio Bueno, do Colégio Sigma, em Brasília.
Onde estão as terras raras do Brasil?
De acordo com os especialistas entrevistados pelo Metrópoles, os estados com depósitos mais relevantes de terras raras no Brasil são Goiás, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Paraíba, Amazonas, Mato Grosso, Tocantins, Rondônia, Pará e Rio Grande do Norte.
Nos depósitos nacionais, há muitos minerais como monazita e xenotima, fontes primárias de ítrio, e outros elementos como lantânio, cério, neodímio e praseodímio, representantes dos lantanídeos.
“Não significa que não existam terras raras em todos os estados brasileiros, mas sim que alguns estados estão mais avançados que outros em relação ao conhecimento sobre seus depósitos”, diz Mesquita.

Atualmente, o Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China. Ainda assim, nosso país tem pouca capacidade para desenvolver produtos finais provenientes de terras raras em comparação com a quantidade matéria-prima que tem.
Por isso, exportamos o minério raro bruto por um valor baixo e importamos o produto final já pronto por um alto custo.
“O grande desafio do país para os próximos anos não é apenas tirar a terra rara do chão, mas desenvolver a tecnologia para fabricar o produto final aqui dentro. Outro desafio é o desenvolvimento de capital humano e centros de pesquisas voltadas para este setor”, diz Bueno.
O outro lado das terras raras: os impactos ambientais
Além de ser um processo caro, o que dificulta bastante a extração de terras raras é o enorme risco de impactos ambientais causados durante o manejo.
Segundo Mesquita, há dois problemas principais quando se trata da mineração de terras raras: a manipulação de ácidos para o tratamento do minério extraído e a presença comum de elementos radioativos nos depósitos.
Sem a atenção necessária, ambos são capazes de contaminar a região minerada, o que pode tornar impossível a produção da tecnologia final e ainda gerar rejeitos prejudiciais ao meio ambiente.
“Os fatores fazem com que exista a preocupação sobre como tratar e armazenar tais elementos radioativos, evitando possíveis impactos na saúde humana e ambiental”, afirma o geólogo.
