Árvores podem abrigar ecossistemas inteiros, explica pesquisador

Especialistas explicam como uma única árvore pode sustentar um ecossistema inteiro com insetos, fungos, aves e pequenos mamíferos

atualizado

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Árvore
1 de 1 Árvore - Foto: null

Uma árvore pode parecer apenas parte da paisagem mas, na prática, pode funcionar como um verdadeiro ecossistema. Em uma única estrutura vegetal convivem insetos, aves, fungos, bactérias e até pequenos mamíferos, formando uma rede complexa de relações que mantém a vida na floresta.

Para cientistas e educadores ambientais, entender essa dinâmica ajuda a enxergar a floresta de forma menos simplificada. Mais do que tronco, folhas e frutos, uma árvore pode ser considerada um ponto de encontro de diferentes formas de vida.

“A vida da floresta acontece, muitas vezes, onde a gente não vê”, afirma o naturalista e pesquisador João Batista Fernandes, da Mineração Rio do Norte (MRN).

Segundo ele, observar uma árvore com atenção revela uma biodiversidade muito maior do que normalmente percebemos.

Uma árvore como abrigo para dezenas de espécies

De acordo com Fernandes, uma árvore funciona como uma pequena comunidade biológica. Diferentes organismos utilizam o mesmo espaço para viver, se alimentar e se reproduzir.

“Uma única árvore pode abrigar centenas de espécies, visíveis e invisíveis”, explica o pesquisador. Ele compara esse funcionamento a uma rua movimentada, onde cada organismo tem seu papel, mas todos compartilham o mesmo ambiente. Entre os moradores mais comuns estão formigas, besouros, aranhas e aves, além de fungos e bactérias que atuam na decomposição de matéria orgânica e na reciclagem de nutrientes.

Em muitas árvores também se desenvolvem bromélias e outras plantas epífitas, que acumulam água entre as folhas. Esses pequenos reservatórios acabam servindo de abrigo para insetos, anfíbios e microrganismos.

Bromélia em árvore- Metrópoles
No tronco das árvores, bromélias criam pequenos reservatórios de água que servem de abrigo para vários organismos

Relações invisíveis que sustentam o ecossistema

Segundo o naturalista, algumas interações entre espécies são tão específicas que dependem diretamente de uma árvore ou de um ambiente muito particular para ocorrer.

Um exemplo citado por Fernandes envolve a orquídea Catasetum longifolium, que cresce associada ao buritizeiro (Mauritia flexuosa). Nesse caso, a planta depende da ação de um inseto que, ao mesmo tempo, poliniza a flor e se alimenta do fruto. Esse tipo de relação mostra como flora e fauna estão interligadas dentro do mesmo ecossistema.

Árvores muito grandes podem ter papel ainda mais central dentro da floresta. Espécies emergentes, como castanheiras e samaúmas, chegam a sustentar outras plantas, influenciar a umidade do ambiente e oferecer alimento para diversos animais.

“Quem entende a floresta, protege. Quem não entende, simplifica e erra”, afirma Fernandes.

O que acontece quando uma árvore é derrubada

Para a professora de biologia, Francine Cária, do Colégio Galois, em Brasília, remover uma árvore significa interromper diversas relações ecológicas ao mesmo tempo. Raízes, tronco, folhas e flores servem como abrigo, fonte de alimento e espaço de reprodução para vários organismos.

Nas raízes, por exemplo, vivem bactérias responsáveis por decompor matéria orgânica e disponibilizar nutrientes importantes para o crescimento das plantas. Já na copa, aves constroem ninhos e encontram proteção contra predadores.

Insetos polinizadores, como abelhas e borboletas, dependem das flores para se alimentar e transportar pólen entre plantas, processo fundamental para a reprodução vegetal e para a diversidade genética da floresta.

Quando uma árvore desaparece, explica a professora, todo esse ecossistema perde estabilidade.

“Se destruímos o habitat, os organismos que dependiam dele precisam migrar ou acabam morrendo. Isso gera competição por espaço e alimento em outros ambientes”, afirma.

Além da perda de biodiversidade, a derrubada de árvores também contribui para o aumento de dióxido de carbono na atmosfera e para mudanças no microclima local.

Por isso, compreender as relações ecológicas é fundamental para estimular a preservação ambiental. Segundo Fernandes, despertar curiosidade e admiração pela natureza pode ser o primeiro passo para protegê-la.

“Quando as pessoas entendem que uma árvore abriga muitas formas de vida, passam a enxergá-la como um sistema vivo. E quem respeita a natureza tende a cuidar melhor dela”, conclui o pesquisador.

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