Cientistas flagram emissão de brilho por árvores dos EUA pela 1ª vez
Fenômeno foi observado em diferentes espécies de árvores localizadas na costa oeste dos Estados Unidos
atualizado
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Em um feito inédito, pesquisadores da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, documentaram uma árvore emitindo luminosidade através da copa, fenômeno conhecido como coronas. Já se tinha ciência da existência do evento, mas ele só havia sido registrado em laboratório.
“Essas coisas realmente acontecem, nós as vimos; agora sabemos que elas existem. Ter finalmente evidências concretas disso é o que eu acho mais divertido”, diz um dos autores do estudo, Patrick McFarland, em comunicado.
A luminosidade foi detectada em diferentes espécies de árvores localizadas na costa oeste dos Estados Unidos. Apesar de brilhante, o fenômeno é invisível a olho nu.
O registro ocorreu em 2024, mas os resultados do estudo só foram publicados em 12 de fevereiro na revista científica Geophysical Research Letters.
Detecção do brilho nas árvores
Por meio de experimentos em laboratórios, os especialistas descobriram que as coronas ocorrem quando uma tempestade nos céus induz uma carga oposta em direção ao solo. Quando ambas entram em contato no chão, a corrente elétrica viaja até o ponto mais alto das árvores através dos troncos. Assim, ela chega até as folhas do topo, onde a eletricidade se descarrega e se forma o fenômeno luminoso.
Para encontrar o evento na natureza, uma van foi adaptada com equipamentos de uma estação meteorológica, detector de campo elétrico e um telêmetro a laser. Também havia um instrumento óptico com câmera ultravioleta (UV) no teto do veículo – o objetivo dele era fazer os cientistas enxergarem as luzes.
A análise dos vídeos gravados pela câmera UV revelaram 41 coronas na ponta das folhas em um intervalo de uma hora e meia. A luminosidade durou três segundos e pulou pelas folhas. O fenômeno foi detectado em um pinheiro e outras espécies de árvores ao redor.

“Se tivéssemos uma visão sobre-humana, acredito que veríamos essa faixa de brilho no topo de cada árvore durante a tempestade. Provavelmente pareceria um espetáculo de luzes incrível, como se milhares de vaga-lumes emitindo luz ultravioleta descessem sobre as copas das árvores”, aponta McFarland.
Ainda não está totalmente claro como o fenômeno tem impacto na saúde das árvores, mas estudos da década de 1960 mostraram que a corrente elétrica poderia atrapalhar a capacidade delas de fazer a fotossíntese.
Por outro lado, os pesquisadores da Universidade Estadual da Pensilvânia especulam que tais efeitos só aconteceriam em caso de múltiplas ocorrências de coronas. Além disso, as árvores podem já ter desenvolvido algum tipo de mecanismo de defesa para mitigar a ação das tempestades. Novos estudos serão realizados para descobrir mais detalhes.
