Entenda como a alta de CO2 pode beneficiar ou prejudicar as árvores

O dióxido de carbono (CO2) é um elemento importante no crescimento das árvores mas, em excesso, ajuda a intensificar as mudanças climáticas

atualizado

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Foto de árvores em floresta - Metrópoles
1 de 1 Foto de árvores em floresta - Metrópoles - Foto: Getty Images

Uma das matérias-primas básicas para a fotossíntese, o dióxido de carbono (CO2) é importante na construção da biomassa das plantas. Através da energia solar, os vegetais transformam o gás e a água em açúcares, aumentando seu tamanho. Mas o excesso dele, por outro lado, ajuda a intensificar as mudanças climáticas.

Um estudo publicado na revista Nature Plants, em 25 setembro, mostrou que, em condições controladas, a elevação na concentração de CO2 acelera o crescimento de árvores e outras espécies vegetais. A pesquisa foi realizada por cientistas de mais de 60 universidades, incluindo instituições brasileiras e internacionais.

Por outro lado, especialistas ouvidas pelo Metrópoles apontam que a relação benéfica tem limites no mundo real.

“O aumento de CO2 pode estimular temporariamente a fotossíntese e acelerar o crescimento de algumas árvores. No entanto, esse efeito é limitado. A floresta é um sistema complexo, e o ganho inicial pode ser reduzido ou até anulado quando outros fatores entram em cena”, explica a professora de biologia Aurisuzy Dourado Guedes, do Colégio Católica Brasília.

Ela aponta que a falta de nutrientes no solo, a escassez de água ou o estresse causado por temperaturas elevadas também são fatores que influenciam na saúde das árvores. “Não podemos considerar o excesso de CO2 como algo simplesmente benéfico, ele vem acompanhado de riscos e desequilíbrios”, explica Aurisuzy.

A professora de biologia Brisa Goulart, do Colégio Marista Águas Claras, em Brasília, compara o excesso de CO2 à uma refeição que não pode ser aproveitada.

“É como dar um prato de 1 quilo a uma pessoa que se alimenta com 500 gramas de comida. Não adianta, ela não conseguirá comer tudo porque há limitações fisiológicas. Com as plantas acontece o mesmo, o excesso de CO2 não significa necessariamente maior crescimento”, exemplifica.

Efeitos do excesso de CO2 para a natureza

Os níveis alarmantes de CO2 estão entre os principais “motores” para as mudanças climáticas prejudiciais aos biomas brasileiros. Associado à ação humana, o fenômeno provoca eventos climáticos extremos, como secas mais longas e intensas e chuvas fortes e concentradas. Ainda há o aumento na temperatura, que prejudica diretamente a sobrevivência de espécies mais sensíveis.

“Não podemos esquecer que o CO2 é um dos principais gases do efeito estufa. Seu aumento intensifica as mudanças climáticas, alterando a circulação atmosférica e oceânica, o que resulta em secas, enchentes mais intensas e frequentes, além de condições favoráveis à propagação de incêndios”, destaca a bióloga e especialista em conservação Helga Correa, da WWF-Brasil.
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Associada as mudanças climáticas, a alta de CO2 pode prejudicar a vegetação dos biomas brasileiros

Alta de CO2 impacta todo o ecossistema

As mudanças climáticas extremas causadas pela alta do dióxido de carbono alteram diretamente os ciclos biológicos de plantas e animais. “Um exemplo é o descompasso entre a época de floração de algumas plantas e a disponibilidade de polinizadores. Essa ‘dissociação’ prejudica a reprodução vegetal e, consequentemente, toda a cadeia alimentar”, revela Helga.

Outros organismos do solo, como fungos micorrízicos, essenciais para a saúde das árvores, também sofrem com secas, enchentes e incêndios, o que enfraquece ainda mais a biodiversidade. Toda combinação gera dificuldade de regeneração florestal após eventos extremos e vem degradando cada vez mais os ecossistemas brasileiros.

Como melhorar a conservação das florestas brasileiras

Segundo as especialistas, lidar com o problema exige políticas públicas urgentes. Entre as principais medidas estão:

  • Zerar o desmatamento em todos os biomas brasileiros;
  • Investir em restauração ambiental de áreas degradadas, como na Mata Atlântica;
  • Promover a transição energética, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e evitando a exploração de novos poços de petróleo;
  • Proteger comunidades tradicionais, como indígenas e quilombolas, que desempenham papel crucial na preservação dos territórios e na manutenção da biodiversidade.

A expectativa é que o assunto seja uma das pautas da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30). O evento será realizado em novembro, em Belém (PA).

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