Âmbar encontrado no Equador revela insetos de supercontinente extinto

Descoberta mostra insetos incrivelmente preservados em âmbar e revela o que existia na América do Sul há milhões de anos

atualizado

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Communications Earth & Environment
Foto colorida de um inseto pequeno fossificado dentro de superfície amarelada e transparente - Metrópoles.
1 de 1 Foto colorida de um inseto pequeno fossificado dentro de superfície amarelada e transparente - Metrópoles. - Foto: Communications Earth & Environment

Um pedaço de âmbar encontrado no leste do Equador está ajudando a reconstruir a história das antigas florestas tropicais da América do Sul. O estudo publicado em 18 de setembro na revista Communications Earth & Environment descreve o mais importante depósito de âmbar do período Cretáceo já encontrado.

O âmbar — resina vegetal cristalizada — datado de cerca de 100 milhões de anos contém insetos e fragmentos de plantas preservados do supercontinente Gondwana, que reunia a América do Sul, a África e outras massas de terra do Hemisfério Sul.

As amostras vieram de rochas dos Andes equatorianos e revelam um ambiente antigo dominado por árvores resiníferas, semelhantes às araucárias atuais, que produziam a resina que formou o âmbar.

Dentro do material fossilizado, os cientistas encontraram pelo menos 21 inclusões biológicas, entre elas moscas, besouros, vespas e teias de aranha, além de pólen e fragmentos vegetais.

Esses vestígios indicam que a região abrigava uma floresta tropical úmida e diversa, com grande presença de água e sombra — muito diferente de outros ambientes tropicais antigos, que eram mais secos e abertos.

Foto colorida de um inseto pequeno fossificado dentro de superfície amarelada e transparente - Metrópoles.
Inseto preservado em âmbar revela detalhes sobre as antigas florestas tropicais da América do Sul durante o período Cretáceo

Segundo os autores, o achado preenche uma lacuna importante no registro fóssil do Hemisfério Sul. Até agora, depósitos de âmbar com tantos organismos preservados eram conhecidos quase exclusivamente em regiões do norte global, como Mianmar e Líbano.

A descoberta sul-americana amplia o entendimento sobre como se formavam as florestas tropicais de Gondwana e a evolução conjunta de plantas e insetos no continente.

Os pesquisadores destacam ainda que a composição do âmbar foi alterada ao longo de milhões de anos por contato com hidrocarbonetos presentes nas rochas, o que dificulta algumas análises químicas.

Mesmo assim, o material preserva informações valiosas sobre o clima e o ecossistema da época e abre caminho para novas escavações que podem revelar ainda mais espécies e detalhes sobre as antigas florestas tropicais.

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