Vorcaro enviou R$ 60 milhões a empresa que teria pago servidores do BC

Segundo a PF, a holding usada pelo dono do Master para a realização de diversos negócios pode ter sido usada para pagar servidores do BC

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Daniel Vorcaro, embarcando em avião da PF para Brasília -- Metrópoles
1 de 1 Daniel Vorcaro, embarcando em avião da PF para Brasília -- Metrópoles - Foto: Divulgação

A declaração do Imposto de Renda do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, mostra uma série de transferências à empresa Super Empreendimentos e Participações S/A. De acordo com o relatório referente ao ano de 2024, R$ 60 milhões foram transferidos como “pagamento de dívidas”.

A Super Empreendimentos é apontada em investigações da Polícia Federal como intermediária no pagamento dos dois então servidores do Banco Central: Bellini Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza. Segundo a PF, a empresa era usada para intermediar movimentações financeiras entre o empresário e os operadores de atividades ilícitas, que faziam parte do grupo criminoso “A Turma”.

Os dois servidores do BC foram alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero, que culminou na prisão do dono do Master, no dia 4 de março.

A Receita Federal enviou as declarações do Imposto de Renda do banqueiro à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS e o Metrópoles teve acesso aos documentos. Vorcaro entrou no radar do colegiado depois que fundos ligados ao Master foram citados nos desvios de aposentados e pensionistas

Servidores investigados

Os servidores do BC foram afastados do órgão por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). Eles já eram alvo de apuração interna na própria autarquia, desde o fim do ano passado, suspeitos de atuação inadequada na supervisão do Master antes do processo de liquidação da instituição, em novembro do ano passado.

Ao autorizar a ação da PF, o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, afirmou que Paulo Sérgio Neves de Souza estava atuando como um “empregado” do dono do Banco Master. O magistrado apontou as trocas de mensagens entre os dois como prova do crime.

No início de 2026, Bellini e Paulo Sérgio já haviam sido afastados administrativamente de funções no Banco Central.  


Quem são os servidores

  • Paulo Sérgio Neves de Souza é ex-diretor de fiscalização do BC. Ele foi o responsável por autorizar a compra do Banco Máxima por Daniel Vorcaro que, posteriormente, passou a se chamar Master.
  • Bellini Santana é ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup). Ele teria assinado os ofícios e despachos do Banco Central enviados ao Ministério Público Federal relativos à instituição financeira.

Ligação suspeita

A Super Empreendimentos recebeu aportes de mais de R$ 2,5 bilhões do Termópilas Fundo de Investimentos em Participações e do Termópilas FIDC, administrados pela Reag.

A companhia está registrada em nome de Ana Cláudia Queiroz de Paiva, e era gerida por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Com sede na Faria Lima (SP), foi aberta em 6 de setembro de 2018 e conta com capital social de R$ 2.562.578.600,00.

Os registros societários também indicam o advogado Leonardo Augusto Furtado Palhares, alvo da Polícia Federal, como parte da Super Empreendimentos. Ele possui outra companhia. É sócio da Sociedade Organizada Spread Of Love And Respect (Solar). Segundo o site oficial, a entidade atua no fornecimento de educação para comunidades vulneráveis na África. A fundação surgiu a partir de iniciativa da filha de Daniel Vorcaro.

No total, Vorcaro declarou no Imposto de Renda de 2024 ter R$ 570 milhões de renda e R$ 2,64 bilhões em bens. Ele ainda obteve restituição de R$ 28.764,97 no IR de pessoa física.

Procurada pelo Metrópoles, a defesa de Vorcaro não se pronunciou. 

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Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro
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Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro

Reprodução/ Linkedin

Entenda o caso

O banqueiro Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal. na terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 4 de março de 2026. A investigação apura suspeitas de organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro, ameaças e invasão de dispositivos informáticos ligadas a um esquema financeiro envolvendo o banco.

A prisão preventiva foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou buscas e apreensões e o bloqueio de bens.

Vorcaro já havia sido detido em novembro de 2025, na primeira fase da operação, quando investigadores apuravam a emissão de títulos de crédito supostamente fraudulentos vinculados ao banco. Após cerca de dez dias preso, ele foi solto por decisão judicial e passou a cumprir prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, enquanto o inquérito continuou.

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