Filho de senador do dinheiro nas nádegas não tem pressa para assumir

Nos bastidores, há movimentação para que ele não fique com vaga do pai a fim de evitar desgastes para a Casa. Ideia é deixar o tempo passar

atualizado 22/10/2020 12:53

Divulgação/Facebook/Chico Rodrigues

Com o prazo regimental de 30 dias para assumir, o primeiro suplente do senador licenciado Chico Rodrigues (DEM-RR), flagrado com dinheiro escondido nas nádegas, o empresário Pedro Arthur Rodrigues (DEM-RR), que é filho do parlamentar, não tem pressa.

Nos bastidores, há movimentação para que ele não assuma a fim de evitar desgastes para a Casa. A Polícia Federal descobriu que o senador licenciado permitiu que duas assessoras dele trabalhassem na empresa do filho, o que aumenta a pressão. Se Pedro não assumir, quem fica com a vaga é o segundo suplente, Onésimo Cruz (PSDB-RR).

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Até a noite de quarta-feira (21/10), presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), não tinha assinado a convocação do suplente. A ideia vigente na Casa é deixar o tempo passar.

Procurada, a assessoria do senador licenciado disse que, a princípio, Pedro vai ficar com o mandato, mas não soube dizer quando. Contatado, o suplente disse que não queria falar e desligou o telefone.

O caso

Chico Rodrigues é investigado num esquema de desvio de recursos por meio de emendas parlamentares e fraude em licitação ligada à Secretaria de Saúde de Roraima no âmbito do combate à Covid-19. Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão, os agentes da Polícia Federal (PF) encontraram cerca de R$ 30 mil escondidos nas nádegas de Rodrigues.

Após pressão de aliados, o senador pediu licença do mandato por 121 dias na última terça-feira (19/10) e disse que, “em um ato impulsivo” teve “a infelicidade de tomar a decisão mais irracional” de toda a sua vida – que foi esconder o dinheiro entre as nádegas. Ele, todavia, reafirmou que o montante era para pagar funcionário.

Antes, Rodrigues havia deixado a vice-liderança do governo no Senado, a comissão externa do Congresso Nacional que fiscaliza os gastos no combate à Covid-19 e o Conselho de Ética do Senado, que recebeu representação contra ele por quebra de decoro parlamentar.

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