“Aquela cadeira tem criptonita”, diz Bolsonaro sobre ser presidente

O chefe do Executivo federal disse não se preocupar com 2022 e que pretende recuperar a própria imagem agora

Marcos Corrêa/PRMarcos Corrêa/PR

atualizado 14/06/2019 16:18

Ao falar do cargo que ocupa, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) comparou o posto à criptonita, em referência à pedra capaz de diminuir os poderes do herói do quadrinho norte-americano Super-Homem. “Aquela cadeira [da Presidência] tem criptonita. É pancada o tempo todo”, comentou durante café da manhã com jornalistas, nesta sexta-feira (14/06/2019).

O chefe do Executivo nacional disse não precisar ter “cautela” com a imagem dele para uma possível reeleição em 2022, mas ressaltou que espera recuperar a popularidade neste momento. “Não estou preocupado com minha imagem para 2022, tenho que arrumar agora. Estou trabalhando nesse sentido”, frisou.

O mandatário da República reclamou de ter sido mal interpretado com o anúncio de projetos de exploração turística em reservas ambientais brasileiras. “Agora, sou inimigo da Amazônia”, disse, com ironia. “Aí está o retrato do porquê o Brasil não vai para frente”.

A referência feita pelo presidente lembra uma declaração do ex-ministro José Dirceu durante as eleições do ano passado. À época, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, ele falou sobre as perspectivas para o governo do pesselista. “Vamos deixar o Bolsonaro sentar na cadeira. Aquela cadeira queima”, assinalou o petista.

Para Bolsonaro, é importante recuperar a imagem internacional do Brasil e evitar que a “ideologia” interfira no trabalho como presidente. “O Mercosul deixa de fazer comércio com o mundo por questões ideológicas. Vamos agregar mais valor ao que produzir aqui”, explicou.

Segundo o titular do Palácio do Planalto, o maior problema do Brasil não é a corrupção, mas a perda de liberdade. “Não queremos a Cristina [Kirchner]. Queremos alguém que defenda a liberdade. Nós só podemos ficar bem se nosso vizinho ficar bem”, salientou.

“Piadas de mau tom”
O presidente também falou sobre outros temas, como o recente vazamento que envolve o nome do ministro Sergio Moro. Em tom jocoso, Bolsonaro disse não temer a invasão de um hacker. Segundo ele, se isso ocorresse com o seu celular, o que viria à tona seriam “brincadeiras que podem ser consideradas de mau tom”. “Ninguém pode mais brincar neste Brasil”, reclamou.

O mandatário do país informou ainda que se reuniu com o diretor da Polícia Federal, Marcelo Leite Valeixo, para pedir rigor nas apurações. “Esse tipo de crime deve ser investigado, porque pode gerar complicações na vida pessoal”, pontuou, citando o caso de um homem casado que vai a um motel com outra pessoa. “A única forma de se comunicar com segurança é pessoalmente. Não tenho nenhum problema, estou muito bem casado”, destacou.

Ao pontuar sobre a possibilidade de saída de Moro do governo, Bolsonaro garantiu que o assunto não foi cogitado. “Ele não falou nem eu pensei em abordar isso com ele. Confio no Moro”, frisou.

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, contou que todos os ministros recebem, ao assumirem o cargo, um celular com criptografia mais avançada, referindo-se aos aparelhos preparados com a chamada “criptografia de Estado”. Ou seja, um código muito mais embaralhado do que os utilizados em celulares normais.

No entanto, os ministros acabam não usando esse aparelho devido a “limitações” do sistema. “Em uma semana os ministros desistem”, ressaltou Heleno. Ele saiu em defesa do colega da Justiça: “O Moro não deve nada, pode vasculhar. Em minha modesta opinião, a conversa do Moro é banal”, observou.

O presidente Jair Bolsonaro recebeu, na manhã desta sexta-feira (14/06/2019), jornalistas que cobrem o dia a dia do Palácio do Planalto como setoristas. O Metrópoles estava entre os meios de comunicação convidados, bem como no último encontro com profissionais de mídia.

“Canalha”
A respeito dos questionamentos levantados por Lula acerca da veracidade da facada, durante a campanha, Bolsonaro reagiu: “Não tenho que dar explicações sobre esse sujeito. Uma facada na barriga do Lula só sairia muita cachaça”. Na sequência, o presidente questionou os jornalistas: “Alguém acha que eu teria dinheiro e influência para inventar uma coisa dessa?”.

Nesse momento, o chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, seguiu na mesma linha de raciocínio do chefe do Executivo nacional, de forma aguerrida. Batendo com as mãos na mesa, disse: “É uma canalhice desse sujeito. Não mereceu o cargo. A Presidência da República é uma instituição sagrada”. Na sequência, defendeu a “prisão perpétua” para Lula.

Heleno rebateu a dúvida dizendo que quando Lula e Dilma anunciaram estarem doentes, com câncer, ninguém duvidou. Por isso, pontuou o militar, eles não deveriam fazer esse tipo de ilação.

Demissão
O presidente Jair Bolsonaro (PSL) anunciou ainda, no café da manhã, a demissão do atual presidente dos Correios, general Juarez Aparecido de Paula Cunha. Segundo o chefe do Executivo federal, o cargo de Cunha chegou a ser oferecido ao general Carlos Alberto dos Santos Cruz, demitido da Secretaria-Geral da Presidência da República, na quinta-feira (14/06/2019).

Bolsonaro evitou falar sobre os motivos da demissão de Santos Cruz. Ele recorreu à metáfora do casamento para falar sobre o ex-ministro. “Foi uma separação amigável. Ele continua no meu coração”, disse o mandatário do país.

O titular do Planalto informou que ofereceu outros cargos dentro do governo ao general, inclusive o de presidente dos Correios, mas Santos Cruz não demonstrou vontade de permanecer.

O ex-ministro era contra o forte investimento de recursos na principal pauta do governo até o momento: a reforma da Previdência. Isso contrariava o ministro da Economia, Paulo Guedes, que tem defendido um engajamento mais aguerrido do Planalto à reforma. Além de Guedes, o secretário de comunicação, Fábio Wejngarten, que era subordinado a Santos Cruz, defende o aumento das verbas publicitárias para meios de comunicação e redes sociais com foco na reforma.

Decisão do STF
Jair Bolsonaro (PSL) criticou, na mesma ocasião, o posicionamento do Supremo Tribunal Federal (STF) de criminalizar a homofobia, que foi equiparada ao crime de racismo. Para o presidente, a decisão, definida com placar de 8 a 3 na tarde de quinta-feira (13/06/2019), é um equívoco.

“A decisão é equivocada. Ela prejudica o homossexual”, argumentou o titular do Planalto, ao defender a tese de que o entendimento dos ministros cria, na realidade, uma discriminação. “Está se tornando insuportável o Brasil por conta dessas questões”, prosseguiu.

Ele usou de ironia para defender uma posição contrária à tomada pelo Supremo. “Agora, se você ofendeu uma pessoa, deu uma facada, só porque é gay tem que ser agravada”, disparou. Em setembro do ano passado, ainda durante a campanha presidencial, Bolsonaro foi atacado com uma facada.

O mandatário do país ainda citou como exemplo uma conversa que teve com o apresentador Danilo Gentili. No diálogo, Bolsonaro disse: “Danilo, olhando para você, eu sei se você é amarelo ou branco, mas não sei se você é gay”. Na sequência, ele defendeu mais uma vez a necessidade de se ter no STF um ministro evangélico.

“Não é uma mistura de política com religião, mas não custa nada”, disse Bolsonaro. O presidente argumentou que, por conta de questões como essa da homofobia, que envolve costumes, há a necessidade de um ministro cristão.

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