Master baixou liquidez do FGC em 41% e obrigou aporte de R$ 44 bilhões
Fundo tinha R$ 114,1 bilhões antes de liquidações do conglomerado do Banco Master. Bancos tiveram de antecipar contribuições
atualizado
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A série de liquidações extrajudiciais iniciada a partir do escândalo do Banco Master, crise começada em novembro de 2025, reduziu em 41,4% a liquidez do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O fato obrigou que as instituições associadas ao fundo realizassem um aporte de R$ 44,4 bilhões.
O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente em 18 de novembro de 2025 diante de investigação sobre a venda de títulos falsos. Desde então, mais sete instituições financeiras relacionadas ao conglomerado passaram pelo mesmo processo determinado pelo BC.
Entenda como funciona o FGC
- O FGC é uma entidade privada mantida pelos bancos, criada para proteger depositantes e investidores em caso de quebra ou liquidação de instituições financeiras.
- A cobertura é de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira, considerando depósitos e investimentos elegíveis, como CDB, LCI, LCA e contas correntes ou poupança.
- O limite global é de R$ 1 milhão a cada quatro anos, somando todas as garantias recebidas pelo investidor no período.
- Os recursos do fundo vêm das contribuições obrigatórias dos bancos associados, que fazem aportes periódicos proporcionais ao volume de depósitos garantidos.
- Quando um banco quebra, o FGC ressarce os clientes elegíveis, geralmente em poucos dias após a intervenção ou liquidação, para evitar corridas bancárias e preservar a confiança no sistema financeiro.
A redução no saldo do FGC foi decorrente do pagamento de depósitos e aplicações que são amparados pelo fundo e estavam nas instituições liquidadas pelo BC. Em 2024, o FGC tinha saldo de R$ 114,1 bilhões.
Em janeiro de 2026, “considerando os montantes provisionados para a cobertura das garantias das instituições liquidadas”, o caixa reduziu para R$ 66,8 bilhões em janeiro deste ano. Em termos percentuais, a diminuição foi de 41,4%.
Para a recomposição do fundo, foram necessários R$ 44,4 bilhões, conforme o Relatório de Estabilidade Financeira (REF), divulgado pelo Banco Central (BC) na última segunda-feira (25/5). A autoridade monetária estima que a liquidez do FGC alcançou R$ 111,2 bilhões em março deste ano.
“Em março de 2026, foram aprovadas antecipações de contribuições ordinárias mensais das instituições
associadas ao FGC, sendo sessenta contribuições em março de 2026, doze contribuições em março de 2027 e doze contribuições em março de 2028”, diz trecho do relatório do BC.
Veja a evolução do fundo:
Os R$ 114,1 bilhões que havia de saldo no FGC em 2024 respondiam por 2,3% dos depósitos elegíveis naquele momento. A redução para R$ 66,8 bilhões fez o percentual de cobertura cair para 1,2%. Nas estimativas do BC, o saldo projetado em março marca 2% “percentual que deverá permanecer estável nos próximos dois anos”.
Com isso, o alcance do fundo passou de 2,3% em 2024 para 2% agora, uma retração de 0,3 ponto percentual.
Segurança no sistema financeiro
No entendimento do BC, a série de liquidações extrajudiciais das instituições financeiras do conglomerado do Banco Master não levaram a riscos para o Sistema Financeiro Nacional.
“A liquidez estimada para março de 2026 mantém o FGC em condição de cobrir as instituições associadas, seja individualmente, seja de forma conjunta, em quantitativos semelhantes à posição em que o fundo encontrava-se antes dos eventos de novembro de 2025”, destaca o Banco Central no REF.
O proprietário do Master, Daniel Vorcaro, está preso na Polícia Federal (PF). A defesa dele nega crimes, mas negocia um acordo de delação premiada sobre o caso.
Ampliação de cobertura
Na última semana, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) apresentou projeto para ampliar a proteção do FGC a depósitos realizados por Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) e também entidades de previdência complementar do Distrito Federal, de Estados e de municípios no Banco Master.
A medida foi rechaçada pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Embora tenha dito que “não cabe ao Banco Central comentar propostas legislativas”.
“Tenho bastante receio de a gente provocar uma distorção sobre o que é a finalidade do FGC. (…) A intenção é proteger o sinistro de varejo, não um investidor que é institucional, profissional. Justamente a profissão do sujeito (gestor do fundo) é escolher (investimentos) considerando questões de risco e retorno”, enfatizou.









