Bolsonaro em reunião: “É fácil impor ditadura aqui, povo está em casa”

Em encontro com ministros, o presidente reclamou de governadores e prefeitos que adotaram medidas de isolamento para conter o coronavírus

atualizado 22/05/2020 23:27

Na reunião ministerial divulgada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello, na tarde desta sexta-feira (22/05), Bolsonaro afirmou que era “fácil impor uma ditadura” no Brasil.

O presidente criticava governadores que adotaram medidas para impor o isolamento social como forma de combater o novo coronavírus.

“É fácil impor uma ditadura aqui, o povo está dentro de casa. Aí vem um bosta de prefeito que faz uma bosta de um decreto, algema e deixa todo mundo dentro de casa”, reclamou.

Por isso, Bolsonaro defendeu armar a população como forme de garantir que haverá uma ditadura. “Quero escancarar o armamento, quero todo mundo armado, povo armado jamais será escravizado”, completou.

Entenda o caso
Moro deixou o Ministério da Justiça no dia 24 de abril acusando o presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal. Segundo ele, Bolsonaro não só queria indicar alguém de “sua confiança” tanto para a diretoria-geral da PF quanto para as superintendências estaduais, como também queria “relatórios de inteligência” da corporação.

Entre os elementos que, segundo o ex-juiz, provavam suas alegações, estava justamente o vídeo desta reunião ministerial. As imagens foram entregues pela Advocacia-Geral da União (AGU) ao STF, no âmbito de um inquérito que apura as alegações de Moro, mas permaneciam, até então, em sigilo.

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No último dia 12 de maio, o ex-ministro, seus advogados, representantes do governo federal, da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), assistiram ao vídeo juntos, em sessão reservada. Mello atendeu ao pedido de Moro, que defendia o levantamento integral do sigilo — a AGU, por outro lado, queria que apenas as falas do presidente na reunião fossem tornadas públicas.

Veja os vídeos da reunião ministerial liberados pelo STF:

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