Gilmar diz que diretor da PF citou mesadas do jogo do bicho a deputados da Alerj
Ministro afirmou que diretor-geral da PF informou que cerca de 30 parlamentares seriam beneficiários dos recursos
atualizado
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O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quinta-feira (9/4) ter sido informado de que cerca de 30 deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) receberiam “mesadas do jogo do bicho”.
Segundo Mendes, as informações foram apresentadas pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em uma conversa recente. O ministro deu a declaração durante julgamento que discute o formato da eleição para escolher o sucessor de Cláudio Castro (PL) no governo fluminense.
“Eu conversava com o diretor-geral da Polícia Federal, que mencionava que 32 ou 34 parlamentares da Assembleia receberiam mesadas do jogo do bicho. Deus tenha piedade do Rio de Janeiro”, disse o decano do STF.
O suposto envolvimento do crime organizado com membros da Alerj é citado por ministros da Corte como um dos fatores para justificar uma eventual eleição direta para governador-tampão, em que a população escolheria o sucessor de Castro.
Até o momento, dois votos — dos ministros Luiz Fux e André Mendonça — defendem a eleição indireta, pela Assembleia. Já o ministro Cristiano Zanin votou pela eleição direta, com escolha pelos eleitores do estado.
Moraes reforça indícios de crime organizado
O ministro Alexandre de Moraes também mencionou a infiltração do crime organizado na Alerj. Segundo ele, o envolvimento de grupos criminosos com parlamentares “não é ficção, não é invenção, não é algo romanceado”.
Moraes classificou a situação como “tão anômala” que, no ano passado, após o então presidente da Casa, Rodrigo Bacellar (União), ser detido pela Polícia Federal por suposto envolvimento com o Comando Vermelho, a própria Alerj decidiu soltá-lo.
O ministro lembrou ainda o assassinato da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL). No julgamento dos mandantes na Primeira Turma do STF, “ficou comprovado a ligação política das milícias de Rio das Pedras com membros da Alerj”.
“Temos que lembrar que, agora, há poucas semanas, a Primeira Turma julgou o caso importantíssimo do homicídio da ex-vereadora Marielle, onde foram condenados um deputado federal do Rio de Janeiro, que havia sido estadual, e um conselheiro do Tribunal de Contas”, afirmou.
“Temos que lembrar, na semana passada, o retorno da prisão do ex-presidente da Alerj, que havia sido preso por envolvimento com outro deputado estadual, TH Joias, por ligação com o Comando Vermelho”, acrescentou.
Luiz Fux reage
As declarações de Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes provocaram reação do ministro Luiz Fux, carioca e defensor de eleições indiretas. Fux criticou o que classificou como manifestações de “profundo descrédito em relação ao Rio de Janeiro”.
“Há bons políticos no estado”, afirmou, destacando que a bancada fluminense na Câmara é formada por “excelentes políticos”.
O ministro ressaltou que os comentários de colegas não consideram o histórico de casos julgados pelo STF envolvendo políticos de diferentes estados, como a Lava Jato e o caso Master.
“Essa perplexidade não seria tão grande se o colega tivesse participado do julgamento do Mensalão, do julgamento da Lava Jato, desse julgamento agora do INSS e do Banco Master, porque os escândalos não são concentrados no estado do Rio de Janeiro”, disse.
“De sorte que, se esses políticos tiverem que ir para o inferno, eles vão acompanhados de altas autoridades”, acrescentou Fux.
