Protesto pela educação vira confronto no RJ: 210 cidades tiveram atos

Manifestantes pedem o fim do contingenciamento de recursos de universidades públicas e institutos federais de ensino

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atualizado 15/05/2019 21:43

Estudantes, professores e movimentos sociais de todo o Brasil protestaram durante toda esta quarta-feira (15/05/2019) contra o contingenciamento de verbas da educação imposto pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL). Além do Distrito Federal, 26 estados se mobilizaram.

A estimativa da União Nacional dos Estudantes (UNE) é que mais de 1,5 milhão de estudantes tenham ido às ruas em todo o país. Já a Central Única dos Trabalhadores (CUT) calculou a multidão em 2 milhões e disse que, até o final da noite, o número de manifestantes pelo país passe de 5 milhões, visto que ainda não houve a dispersão no Rio de Janeiro e em São Paulo, entre outras localidades.

Ao todo, os atos ocorreram em 210 cidades de todo o país. Em geral, as manifestações foram pacíficas, mas tumultos foram registrados em algumas capitais. Em Brasília, duas pessoas acabaram presas, acusadas de lançarem rojões em direção a policiais militares que acompanhavam o evento na Esplanada dos Ministérios.

No Rio, manifestantes incendiaram um ônibus na Avenida Presidente Vargas: houve confronto com a PM. Alguns, que estariam mascarados, teriam disparado rojões e fogos de artifício em policiais. Os militares, então, reagiram com bombas de efeito moral e gás lacrimogênio, dispersando quem ainda estava na via.

Confira imagens das mobilizações:

Para a CUT, o movimento foi um “esquenta” para a greve geral prevista para o dia 14 de junho. A União convocou o povo para ir às ruas novamente no dia 30 deste mês.

Pelo país
Em Brasília, a mobilização começou às 10h, com concentração no Museu Nacional da República. O movimento abrangeu as 678 instituições públicas de ensino fundamental e médio na capital, além da Universidade de Brasília (UnB) e do Instituto Federal de Brasília (IFB).

Na capital paulista, estudantes e professores fecharam uma das entradas da Universidade de São Paulo (USP), na Zona Oeste da cidade. Os manifestantes protestaram contra a reforma da Previdência e o governo Bolsonaro. Apesar de estadual, a USP foi afetada pela suspensão de bolsas de pós-graduação.

Em Campinas (SP), a avenida que dá acesso ao campus da Unicamp e da PUC-Campinas foi bloqueada na parte da manhã. Em Santos, petroleiros aproveitaram o movimento para protestar em defesa das refinarias.

Já em Belo Horizonte (MG), estudantes do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet) se concentraram na Avenida Amazonas, no bairro Nova Suíça. Cerca de 100 jovens protestaram. Entre as faixas: “Luto pela Educação” e “A aula hoje é na rua”.

Em Curitiba (PR), as aulas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) também foram suspensas. Os protestos começaram por volta das 10h, na praça Santos Andrade.

Na região Nordeste do país, estudantes, professores e sindicalistas bloquearam o portão de acesso à Universidade Federal do Maranhão. “Educação não é mercadoria”, diz um dos cartazes. O movimento conta com a participação do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Zé Doca (Sindsep).

Houve paralisação de professores da Universidade Federal de Pernambuco, na Zona Oeste do Recife. Eles ainda atenderam a população gratuitamente, como forma de conscientizar sobre a importância do serviço prestado.

No Rio Grande do Norte, mais de 50 pessoas participam da paralisação. Elas estão em frente ao Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN). O movimento conta com participação especial da governadora do estado, Fátima Bezerra (PT).

Na capital baiana, escolas públicas e particulares amanheceram sem aula. Estudantes e professores fizeram protesto no centro da Salvador, em Campo Grande. O Partido Socialismo e Liberdade (PSol) estima que mais de 10 mil pessoas protestaram na cidade.

A greve
A comunidade acadêmica prometeu uma Greve Nacional da Educação, protesto unificado em todo o país contra a reforma da Previdência (PEC nº 6/2019). O movimento foi convocado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), e diversos atos acontecem nas cidades.

A orientação de aderir à paralisação nacional da educação foi tomada após assembleia geral realizada na última quarta-feira (08/05/2019) pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade de Brasília. A UnB sofreu contingenciamento de 40% nos recursos, perda de R$ 48,5 milhões, o que pode afetar gastos com água, luz e segurança.

Os bloqueios também atingiram a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Somente na instituição federal de ensino superior, foram eliminadas 123 bolsas.

Cortes na educação
No último dia de abril, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou que cortaria 30% dos recursos de universidades que promovessem “balbúrdia” nos campi. Três universidades foram enquadradas nesse requisito pelo chefe da pasta: a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA). Segundo ele, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Minas Gerais, estava sob avaliação.

No mesmo dia, a UnB confirmou o bloqueio de 30% anunciado pelo ministério. A instituição disse não ter sido comunicada anteriormente de nenhum corte e contestou a declaração de Weintraub, afirmando não promover bagunça. “Como toda universidade, é palco para o debate livre, crítico, organizado por sua comunidade, com tolerância e respeito à diversidade e à pluralidade.”

Convidado para participar de uma transmissão semanal via Facebook do presidente Jair Bolsonaro (PSL), Weintraub tentou explicar como seriam realizados os bloqueios e reforçou que, na verdade, não foram feitos “cortes”, mas um “contingenciamento”. “Não está cortado. Deixa para comer depois de setembro”, disse na ocasião, ao usar chocolates para explicar o orçamento das instituições.

Assim, de acordo com o ministro, o bloqueio é de 24,84% das despesas discricionárias, que incluem gastos como contas de água, luz, compra de material básico, contratação de terceirizados e realização de pesquisas. O valor total contingenciado, considerando-se todas as universidades, é de R$ 1,7 bilhão, ou 3,43% do orçamento completo – incluindo despesas obrigatórias.

“Idiotas úteis”
O presidente Jair Bolsonaro (PSL), em viagem a Dallas, no estado norte-americano de Texas, afirmou que os estudantes que protestam contra o contingenciamento de verbas nesta quarta-feira (15/05/2019) são “massa de manobra” e “idiotas úteis”.

Segundo Bolsonaro, “a maioria ali é militante. Se você perguntar a fórmula da água, não sabe, não sabe nada. São uns idiotas úteis que estão sendo usados como massa de manobra de uma minoria espertalhona que compõe o núcleo das universidades federais no Brasil”.

No Twitter Brasil, a hashtag #TsunamiDaEducação está entre as mais comentadas devido às manifestações organizadas pela comunidade acadêmica.

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