A marcha contra os bloqueios de verbas na Educação reuniu pelo menos 6 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios nessa quarta-feira (15/05/2019), segundo cálculos da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). A princípio, a corporação havia informado 15 mil, mas recalculou a estimativa de público. O protesto ocorreu, na maior parte do tempo, de forma pacífica, mas o clima esquentou por volta das 14h30. A PM teve de dispersar um grupo que cobriu o rosto e pelo menos dois manifestantes chegaram a ser detidos. Eles foram encaminhados para a 5ª Delegacia de Polícia (área central).

Alguns manifestantes atearam fogo em pedaços de paus, fecharam a Via N1, na altura da Rodoviária do Plano Piloto, soltaram foguetes em direção à PM e correram. Foram detidos e depois liberados, após assinarem um Termo Circunstanciado. A pista também foi desbloqueada pelos policiais.

O terminal rodoviário ficou repleto de policiais militares e homens da Força Nacional. Um dos manifestantes chegou a tirar a calça na Rodoviária do Plano Piloto. Mais cedo, eles também provocaram a Polícia Militar.

“Não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da Polícia Militar.” “Não é mole, não. Tem dinheiro para polícia, mas não tem para educação.” Um grupo também colocou folhas secas na pista e tentou, sem sucesso, atear fogo. Os manifestantes se posicionaram em frente à barreira da PM. Um casal se abraçou e se beijou.

crítica feita pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) repercutiu na marcha. À imprensa nos Estados Unidos, o chefe do Executivo nacional disse que os manifestantes são “massa de manobra” e “idiotas úteis”. Os estudantes e professores retrucaram na Esplanada: “Fora, Bolsonaro”. Ao passarem em frente ao Ministério da Educação (MEC), vaiaram e gritaram: “O tsunami chegou”.

Desde as 9h, estudantes, professores e demais servidores da área no Distrito Federal se concentraram no Museu Nacional da República para participar da Greve Nacional da Educação, protesto unificado que ocorre em todo o país. Por volta das 11h50, todas as faixas do Eixo Monumental, sentido Congresso Nacional, estavam ocupadas.

O protesto teve seu ápice às 11h e acabou por volta das 15h. Mesmo após a dissipação dos manifestantes, viaturas da PMDF permaneceram na Rodoviária até o início da noite. A organização fala em mais de 50 mil participantes.

Além da presença maciça da PM, militares da Força Nacional cercaram do Ministério da Educação desde a noite dessa terça-feira (14/05/2019). O expediente, porém, na quarta-feira foi normal. Policiais militares ficaram próximos aos demais prédios da Esplanada.

Estudante da Universidade de Brasília (UnB) e representante do movimento Juntos, Bruno Zaidan disse que a mobilização atinge toda a comunidade escolar, como pais, professores e alunos. “Queremos mostrar ao governo federal que a sociedade está unida contra os cortes. A educação é a porta de entrada da infância e da juventude para o futuro. O presidente [Jair] Bolsonaro está permitindo uma série de ataques à educação no Brasil, e não podemos permitir. O nosso ato é pela resistência”, ressaltou.

A Câmara dos Deputados aprovou, também nessa terça-feira, a convocação do ministro da Educação, Abraham Weintraub, para explicar, em audiência no plenário da Casa, os cortes orçamentários na área. A expectativa é que o ministro compareça ao Congresso na tarde desta quarta. Na Esplanada dos Ministérios, todos os retornos estão fechados na altura do Museu da República, alterando o trânsito na região.

O acompanhamento da manifestação será feito pela PM. De acordo com a corporação, o número de policiais na Esplanada será proporcional ao de manifestantes. Os militares ainda contam com apoio do Departamento de Trânsito (Detran).

Escolas e UnB paradas
Servidores da rede pública de ensino do DF aderiram à paralisação. O diretor do Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF), Samuel Fernandes, disse que funcionários de mais de 700 escolas do DF se mobilizaram para participar do protesto.

“A participação da nossa categoria é grande. A nossa luta é contra a reforma da Previdência, que compromete a nossa aposentadoria, e contra o corte de verbas na educação. Não podemos ficar calados diante das perdas. Educação de qualidade se faz com investimentos e não com cortes.”

Na Universidade de Brasília, os professores e alunos também aderiram ao movimento. Mariana Cartes, 20 anos, é estudante da instituição, atingida com o bloqueio de R$ 48 milhões. “O objetivo de todos que estão reunidos aqui hoje é barrar a política educacional do governo, reverter os cortes e ampliar o investimento na educação pública e gratuita”, diz.

A professora Joana Monteiro Lopes, 45, chegou à Esplanada por volta das 10h. “Não estamos hierarquizando pautas. A gente vai para a rua em defesa da educação pública e contra a reforma da Previdência”, destacou.

Entre os políticos presentes na marcha na Esplanada estava a presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann. “Bolsonaro, você, que se acha valentão: você é um frouxo, um covarde. Fugiu e foi para Dallas [nos Estados Unidos] se esconder debaixo da bandeira americana, para quem você bate continência, para não enfrentar os professores e estudantes”, criticou.

Durante todo o dia, 210 cidades brasileiras registraram manifestação contra os bloqueios anunciados pelo MEC e também a reforma da Previdência. Em nota, o Ministério da Educação disse que está aberto ao diálogo e que, inclusive, recebeu diversos reitores de universidades. E voltou a ressaltar que o “bloqueio preventivo” realizado nos últimos dias atingiu apenas 3,4% do orçamento total das instituições públicas federais. Destacou também que, a despeito da crise, está mantendo os salários dos servidores em dia.