A suspensão de bolsas de mestrado e doutorado feita pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) atinge pesquisas das universidades federais. A notícia foi dada no início da noite dessa quarta-feira (08/05/2019) e prevê o corte em bolsas de pós-graduação “não utilizadas no mês de abril”.

A Universidade de Brasília (UnB) disse que está apurando o alcance total da medida. Mas um levantamento preliminar indica que ao menos 123 bolsas foram cortadas, sendo 113 de mestrado e doutorado e 10 de pós-doutorado.

São consideradas bolsas “não utilizadas” as que estavam em fase de transição para implementação. O corte horizontal prejudica a pesquisa e a pós-graduação na UnB e em todo o país, porque interrompe o andamento de estudos em áreas estratégicas, entre elas, biotecnologia, biodiversidade e desenvolvimento de fármacos e vacinas.

A UnB foi uma das primeiras universidades a enfrentar o corte de recursos por parte do governo federal. Na semana passada, o Ministério da Educação fez o bloqueio de 30% do orçamento da instituição, percentual que foi ampliado para 40%. O corte implica R$ 48 milhões a menos.

A medida foi anunciada pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, em entrevista ao Estado de São Paulo. Na ocasião, ele disse que as instituições que estivessem promovendo “balbúrdia”, eventos políticos, manifestações partidárias, em seus campi e com desempenho abaixo do esperado teriam a verba cortada.

Pouco antes, no dia 25 de abril, a universidade recebeu o ex-presidenciável Fernando Haddad (PT). O que era para ser um debate sobre educação tornou-se um verdadeiro comício político contra o governo Jair Bolsonaro (PSL).

O ministro ainda revelou que três universidades tinham sido enquadradas nos novos critérios e tiveram repasses reduzidos: a UnB, a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Em recente entrevista ao Metrópoles, a reitora da Universidade de Brasília, Márcia Abrahão, disse que a situação financeira na instituição é gravíssima. “Não temos mais de onde cortar. Não vou sangrar mais uma vez as faculdades. A UnB não vai encolher.”

Há dois anos, a UnB precisou demitir terceirizados, estagiários e aumentar o preço do Restaurante Universitário (RU). O orçamento acabou impactado ainda mais pelos cortes feitos em 2018. Agora, está no limite de seu funcionamento. De acordo com a reitora, abrir mão de qualquer contrato pode prejudicar severamente as atividades da instituição.