Damares pede prisão de governadores: maior violação de direitos da história

Em reunião ministerial, ministra da Família se revoltou com ações de isolamento contra o coronavírus: "Idosos estão sendo algemados"

atualizado 22/05/2020 22:50

A ministra Damares Alves, da Mulher, Família e Direitos Humanos, disse na reunião ministerial de 22 de abril que sua pasta está trabalhando em procedimentos que pedem inclusive a prisão de governadores por causa das restrições impostas no esforço para conter o coronavírus.

“A maior violação de direitos humanos da história do Brasil nos últimos trinta anos está acontecendo neste momento”, disse ela ao presidente Jair Bolsonaro. “Mas nós estamos tomando providências”, garantiu. “A pandemia vai passar, mas governadores e prefeitos responderão processos e nós vamos pedir inclusive a prisão de governadores e prefeitos. Nosso ministério vai começar a pegar pesado com governadores e prefeitos”, discursou ainda.

O único governador citado nominalmente pela ministra Damares é o do Piauí, Wellington Dias (PT). “Se eles falavam que nós éramos violadores de direitos… Eles estão, inclusive, o governador Wellington, agora, li ontem, determinou que a polícia poderá entrar nas casas.”

O presidente Bolsonaro pergunta se o governador assina essa ordem. “Assinou! A polícia poderá entrar na casa sem mandato”, disse Damares.

Ainda segundo a ministra, “idosos estão sendo algemados e jogado dentro de camburões no Brasil. Mulheres sendo jogadas no chão e sendo algemadas por não terem feito nada… feito nada. Nós estamos vendo padres sendo multados em R$ 90 mil porque estavam dentro da igreja com dois fiéis.”

Entenda o caso
Moro deixou o Ministério da Justiça no dia 24 de abril acusando o presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal. Segundo ele, Bolsonaro não só queria indicar alguém de “sua confiança” tanto para a diretoria-geral da PF quanto para as superintendências estaduais, como também queria “relatórios de inteligência” da corporação.

Entre os elementos que, segundo o ex-juiz, provavam suas alegações, estava justamente o vídeo desta reunião ministerial. As imagens foram entregues pela Advocacia-Geral da União (AGU) ao STF, no âmbito de um inquérito que apura as alegações de Moro, mas permaneciam, até então, em sigilo.

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No último dia 12 de maio, o ex-ministro, seus advogados, representantes do governo federal, da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), assistiram ao vídeo juntos, em sessão reservada. Mello atendeu ao pedido de Moro, que defendia o levantamento integral do sigilo — a AGU, por outro lado, queria que apenas as falas do presidente na reunião fossem tornadas públicas.

Veja os vídeos da reunião ministerial liberados pelo STF:

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