Para Damares, pacientes que não quiserem cloroquina devem avisar

Ministra sugere que pacientes com quadros leves também recebam o medicamento, o que contraria protocolo do Ministério da Saúde

atualizado 15/05/2020 21:41

ministra Damares Alves, de camisa laranjaAndre Borges/Esp. Metrópoles

Em entrevista coletiva na noite desta sexta-feira (15/05), a ministra Damares Alves, da pasta da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, afirmou que quem “não acredita na cloroquina deve assinar uma declaração dizendo que não quer tomar o remédio”.

Segundo Damares, há outras “vertentes da ciência” e pesquisadores do mundo inteiro defendendo o medicamento. Até o momento, a maioria dos estudos publicados afirma não ter encontrado nenhuma diferença entre pacientes que tomaram ou não a cloroquina.

“O Ministério (da pasta da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos) tem sido acionado o dia inteiro por brasileiros que querem ter o direito de tomar ou não, é direito do paciente ter acesso ao remédio. O nosso telefone não para de tocar, os médicos querem autonomia para prescrever a cloroquina. Quem não acredita, que não tome. Quem está vendo inúmeros testemunhos, tome. São direitos humanos sendo garantidos”, afirmou.

O Ministério da Saúde, que é responsável pela recomendação ou não de medicamentos para o tratamento de doenças, permite que a cloroquina seja receitada para pacientes graves, desde que o médico se responsabilize pelo uso e o paciente concorde com efeitos colaterais do remédio.

Os últimos dois responsáveis pela pasta se recusaram a ampliar a recomendação do medicamento para casos leves enquanto não existirem evidências científicas sobre sua eficácia.

O ex-ministro da Saúde Nelson Teich chegou a publicar que os pacientes deveriam assinar um termo de consentimento para uso da cloroquina — o remédio tem, entre os efeitos adversos, ação no coração, causando arritmia.

O presidente Jair Bolsonaro, em contrapartida, é a favor do uso da cloroquina desde os primeiros sintomas leves.

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