CPMI do INSS: presidente diz que haverá sessões às segundas e quintas
Carlos Viana afirmou que a escolha das datas se dá para que o governo não tente obstruir as investigações das fraudes
atualizado
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O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigará as fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou nesta quarta-feira (20/8) que as reuniões de trabalho serão realizadas às segundas e quintas.
Somente na semana que vem há um encontro previsto para terça-feira. Viana disse que a escolha das datas se dá para não que o governo não tente obstruir a pauta nos plenários do Congresso.
O vice-presidente da comissão mista deve ser escolhido quando houver consenso entre todos os integrantes, ou no prazo de 3 semanas, segundo o presidente.
Questionado o porquê de não ter assinado o requerimento de criação da comissão, Viana disse que “provavelmente não estava aqui [em Brasília]”.
A escolha da presidência e da relatoria da comissão foi marcada por uma derrota ao governo. Havia um acordo para os cargos ficarem, respectivamente, com o senador Omar Aziz (MDB-AM), e com o deputado federal Ricardo Ayres (Republicanos-TO), correligionário do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Assim que assumiu o comando da comissão, Viana escolheu o deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL) para ser o relator.
O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), assumiu a responsabilidade da derrota na articulação da comissão, visto que os dois congressistas eleitos são da oposição, e o governo pleiteava pelos cargos.
Randolfe disse que subestimaram a capacidade de articulação da direita aliada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que votou pelo nome de Carlos Viana e derrubou a indicação do senador de centro Omar Aziz, que é mais próximo ao governo. Ele avaliou, no entanto, que a movimentação é só “uma partida de um campeonato” e adiantou que o governo vai trabalhar para garantir a “lealdade” do colegiado.
A CPMI reúne 32 integrantes, entre deputados e senadores, tanto da base do governo quanto da oposição. O colegiado ainda contará com o mesmo número de suplentes.
Caso revelado
O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.
As reportagens do Metrópoles levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23/4 e que culminou nas demissões do presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.
