Polarização política no Brasil é coisa antiga

Os sapos que Lula terá de engolir para se reeleger

atualizado

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Agência Brasil
A imagem mostra duas manifestações, uma de esquerda e outra de direita, em momentos diferentes -- Metrópoles
1 de 1 A imagem mostra duas manifestações, uma de esquerda e outra de direita, em momentos diferentes -- Metrópoles - Foto: Agência Brasil

Muitos analistas tratam a polarização política do país como se fosse algo recente. Dão a entender que ela se calcificou de vez com a eleição de Bolsonaro em 2018, e sua derrota para Lula em 2022 por uma diferença microscópica de voto. Daí porque dificilmente haverá espaço neste ano para o surgimento de uma terceira força.

Concordo. Mas não porque a polarização seja uma novidade. É coisa antiga. Para não recuar muito no tempo, basta revisitarmos os resultados das eleições presidenciais de 1998 para cá.  Foram sete ao todo. A primeira foi ganha por Fernando Henrique Cardoso que derrotou Lula ainda no primeiro turno (56,06% a 31,71%).

Ciro Gomes, o terceiro candidato mais votado, obteve 10,97% dos votos válidos. O quarto, Enéas Carneiro, 2,14%. Nenhum dos outros oito candidatos superou a casa do 0,37% dos votos. A tal da terceira via pôs a cabeça de fora em 2002 com Garotinho (17,87%) que ameaçou José Serra (23,20%). Lula foi o mais votado (46,44%)

Em 2006, a polarização se acentuou brutalmente. Do total de votos válidos no primeiro turno, 48,61% foram para Lula e 41,64% para Geraldo Alckmin. No segundo turno, Alckmin teve menos votos do que no primeiro (39,17%). Até hoje, foi a única vez que isso aconteceu com um candidato a presidente.

Com Marina Silva, a terceira via voltou a pôr a cabeça de fora nas eleições de 2010 (19,33%) e 2014 (21,32%). Mas na primeira, Dilma (46,91%) e José Serra (32,61%) foram os mais votados, e na segunda, Dilma (41,50%) e Aécio Neves (33,55%). Não restou nem sombra da terceira via nas eleições seguintes.

Em 2018, com Lula preso e impedido de concorrer, e Fernando Haddad lançado candidato a um mês do primeiro turno, Bolsonaro, o esfaqueado, ficou com 46,03% dos votos no primeiro turno contra 29,28% de Haddad. No segundo, Bolsonaro se elegeu presidente com 55,13% (Haddad, 44,87%).

A polarização atingiu seu auge em 2022. Lula teve 48,43% dos votos válidos no primeiro turno, e Bolsonaro 43,20%. Para Simone Tebet, a terceira colocada, sobraram 4,16%. O segundo turno foi o mais dramático da História: Lula, 50,30%, Bolsonaro, 49,10%. Bolsonaro foi o único presidente candidato à reeleição que perdeu.

Nada há de estranho no fato de que mesmo condenado e preso por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro consiga alçar à condição de candidato seu filho Flávio. No cenário mais provável de primeiro turno este ano, a mais recente pesquisa do Datafolha mostrou:

Lula – 38% dos votos
Flávio – 32%
Ratinho Junior – 7%
Romeu Zema – 4%
Renan Santos – 3%
Aldo Rebelo – 2%
Nenhum – 11%
Não sabe – 3%
Não tem mais para ninguém. Flávio, disparado, é a opção majoritária dos antilulistas e dos antipetistas. Se houver segundo turno, e deverá haver, será Flávio x Lula. Era o que Lula desejava. Não sei se ainda deseja, mas vai ter de engolir, junto com o Caso Master e um Supremo Tribunal Federal enfraquecido.

 

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