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O silêncio burlado e o tiro no pé dos Bolsonaro, pai e filho

Eles nada aprendem e nada esquecem

14/07/2026 04:30
Reprodução/Redes sociais
Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência -- Metrópoles

Por Ricardo Noblat

Porta-voz é uma pessoa escolhida para falar pública e oficialmente em nome de outra, seja ela um indivíduo, grupo, governo ou organização.

Em “Carta aos brasileiros”, divulgada no último sábado (11), o ex-presidente Jair Bolsonaro anunciou que seu porta-voz oficial é Flávio, o “Zero Um”, em quem confia para “resgatar” o país e conduzi-lo à paz. O ex-mandatário afirmou ainda que “o momento é de arregaçar as mangas”, deixar de lado “as possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento”.

Ocorre que o Bolsonaro pai está com os direitos políticos suspensos após ser condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e danos ao patrimônio público e a bens tombados. Como a decisão condenatória do Supremo Tribunal Federal já é definitiva, ele está legalmente impedido de se manifestar sobre questões políticas. Logo, nem Flávio nem ninguém pode atuar como seu porta-voz, dada a ausência de uma voz legítima a ser portada.

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Pai e filho simplesmente mandaram às favas todos os escrúpulos e burlaram o silêncio a que o ex-presidente está obrigado. A estratégia, contudo, configurou-se como mais um tiro no próprio pé. Por ora, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, proibiu Flávio de visitar o pai nos próximos 90 dias, além de acionar o Ministério Público Eleitoral para examinar se os termos da carta caracterizam propaganda eleitoral antecipada.

A convenção nacional do Partido Liberal, que oficializará a candidatura de Flávio à sucessão de Lula, está marcada para o dia 25 deste mês. No discurso de homologação, a tendência é que Flávio volte suas baterias contra Moraes, acusando-o de conluio com o atual governo para prejudicar suas chances de eleição em outubro. Essa narrativa já começou a ser testada nas redes sociais por Flávio e por bolsonaristas de carteirinha, indicando que o bloco dos que se dizem perseguidos planeja voltar às ruas para fazer barulho.

Tal movimento pode vir a ser um dos últimos suspiros de uma candidatura em acelerado processo de derretimento, tamanho o volume de erros políticos cometidos até aqui.

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