Guedes quer licença para gastar mais e tentar reeleger Bolsonaro

Quem sempre acusou colegas e governantes de desrespeitar as leis da economia agora faz a mesma coisa para não perder o cargo

atualizado 21/10/2021 13:06

Rafaela Felicciano/Metrópoles

Quase três anos depois de instalado, o governo agora se apresenta como “reformista e popular, não populista”. A definição é de Paulo Guedes, ministro da Economia, ao justificar o rompimento com a lei do teto de gastos porque o importante é reeleger o presidente Jair Bolsonaro ano que vem, não importa a que preço.

Reformista nunca foi. É conversa de Guedes que Bolsonaro jamais engoliu. Popular deixou de ser ao dar passe livre à circulação da Covid-19 para matar os que tivessem de morrer desde que se preservasse a economia de maiores danos. Populista é o que é, está no DNA do presidente, e o Auxílio Brasil é prova disso.

Uma coisa é a preocupação com a questão social em um país onde 43 milhões de pessoas carecem de alimentos suficientes e 19 milhões passam fome. Outra, o populismo e a demagogia em estado puro. A miséria só começou a ser descoberta pelo governo quando a popularidade de Bolsonaro passou a se esvair.

Guedes levou a vida atirando nos fura-tetos de gastos antes mesmo que o teto de gastos virasse lei. É o que ele está pronto para fazer ao render-se às pressões de Bolsonaro e do Centrão, que apoia o governo. Não cabe no Orçamento pagar R$ 400 mensalmente aos brasileiros mais vulneráveis? Mande-se a lei à merda!

Até caberia se o governo cortasse gastos e empregasse melhor o que arrecada, mas não será o caso. Para bancar o Auxílio Brasil, que poderá lhe devolver parte dos votos que perdeu, valerá estourar em 30 bilhões de reais o teto de gastos à custa de calote no pagamento de dívidas vencidas e de outros truques.

Derrubou-se a ex-presidente Dilma sob a acusação de que pedalou a lei de responsabilidade fiscal. Diante do que está prestes a acontecer, o que ela fez foi bobagem. O presidente Collor caiu por causa de um Fiat Elba comprado com sobras de dinheiro de campanha. Bolsonaro compra votos com dinheiro público.

Os R$ 400 extrateto poderão ir além. Lula saiu em socorro de Bolsonaro ao dizer que ele faz bem ao preocupar-se com os pobres, e logo sugeriu que o auxílio fosse de 600 reais. A oposição se baterá por isso no Congresso. Se não der, Bolsonaro será acusado de, no fundo, no fundo, não gostar de pobres, só dos seus votos.