
Flávio Bolsonaro implora a Trump: tarifaço, agora não
Pré-candidato a presidente trocou pedido de "adiamento" por "cancelamento" para escapar da pecha de “traidor da Pátria”

Em puro estado de desespero com seu fraco desempenho como pré-candidato a presidente, Flávio Bolsonaro disse ontem em Washington, ao participar de uma audiência do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, que “este é o pior momento possível para a aplicação de um tarifaço” sobre os produtos exportados pelo Brasil.
Haveria um momento melhor? Flávio argumentou que este seria o pior porque “o Brasil realizará eleições presidenciais daqui a apenas 90 dias, e o cenário político do país seria completamente diferente com a imposição de uma tarifa agora, difícil de reverter”. Diante disso, classificou o atual contexto como inadequado para a adoção da medida e defendeu seu cancelamento.
Na semana passada, em documento de mais de 80 páginas enviado ao mesmo Escritório, Flávio falou em “adiamento” do tarifaço para depois das eleições. Como a declaração pegou muito mal para ele, trocou “adiamento” por “cancelamento”. O que Flávio não disse foi que um tarifaço, a essa altura, poderá reduzir suas chances de se eleger presidente. Para ele, só Lula tem a ganhar com isso.
Foi com o tarifaço de 2025, derrubado mais tarde pela Justiça americana, que Lula começou a ascender nas pesquisas. De resto, Flávio e seu irmão Eduardo saudaram o tarifaço anterior porque ele poderia salvar seu pai de ser condenado por tentativa de golpe de Estado — em carta a Lula, Donald Trump mandou parar o julgamento “IMEDIATAMENTE”.
Tanto Flávio como Eduardo, outra vez, apoiaram o novo tarifaço, até se darem conta da profundidade do buraco que cavaram para eles mesmos. A esperança dos dois é que Trump atenda ao seu apelo e suspenda temporariamente a aplicação da medida. Do contrário, só lhes restará seguir com o discurso capenga e nada convincente de que o tarifaço é culpa de Lula. São uns amadores.
