A direita pedirá socorro a Trump para derrotar Lula em 2026

Se o tarifaço não bastou, quem sabe uma ameaça de intervenção militar?

atualizado

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Hugo Barreto/Metrópoles @hugobarretophoto
Centrais sindicais, UNE e movimentos sociais realizam protesto contra tarifaço de Trump Embaixada dos Estados Unidos brasilia EUA bolsonaro mascaras Metropoles 19
1 de 1 Centrais sindicais, UNE e movimentos sociais realizam protesto contra tarifaço de Trump Embaixada dos Estados Unidos brasilia EUA bolsonaro mascaras Metropoles 19 - Foto: <p>Hugo Barreto/Metrópoles<br /> @hugobarretophoto</p><div class="m-banner-wrap m-banner-rectangle m-publicity-content-middle"><div id="div-gpt-ad-geral-quadrado-1"></div></div>

Cientista político e professor titular da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (FGV EBAPE), Carlos Pereira escreveu no jornal O Estado de S. Paulo que o bolsonarismo tornou-se um fardo e que a direita busca alforria. Talvez devesse, mas não o faz. Deve ter lá suas razões.

Para qual direita o bolsonarismo virou um fardo? Para a que se diz civilizada, mas votou em Bolsonaro no primeiro e no segundo turno da eleição de 2028, derrotando Fernando Haddad (PT)? Para a fração da suposta direita civilizada que em 2022 votou em Lula com o nariz tapado? Por pouco, Bolsonaro não se reelegeu.

Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, apresenta-se como um dos nomes da direita civilizada que sabe comportar-se elegantemente em uma mesa de banquete. Assim procedem também muitos dos que o defendem como o único aspirante a presidente capaz de derrotar Lula em 2026.

Se o bolsonarismo e o seu líder são de fato um fardo, o que impede Tarcísio de jogá-los fora e seguir em frente? Simples: ele não tem votos nem apoios suficientes para encarar tal aventura. Não teria sequer para se reeleger governador. Elegeu-se porque Bolsonaro lhe estendeu a mão. Continua dependente do bolsonarismo.

É a mesma situação enfrentada pelos demais presidenciáveis da direita – Romeu Zema (NOVO), governador de Minas Gerais, Ronaldo Caiado (União-Brasil), governador de Goiás, e Ratinho Júnior (PSD), governador do Paraná. Sem falar dos outsiders que observam tudo à distância sem ainda pôr a cabeça à mostra.

A recente crise da segurança pública devolveu uma nova chance à oposição, acredita Pereira, o cientista político, e repetem os que apostam em uma eleição emocionante, apertada e repleta de surpresas. Poderá ser, sim. Ou não. Porque a crise da segurança finalmente acordou Lula para o que ele fingia ignorar.

Homem de sorte, esse Lula. Beneficiou-se da invasão e depredação da Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. Obteve ganhos políticos significativos ao empunhar a bandeira da união nacional. O bolsonarismo sofreu ali um duro golpe. Lula beneficiou-se da descoberta de que os militares quase aderiram ao golpe.

Pela primeira vez na história do Brasil, generais de quatro estrelas, oficiais de alta patente e um ex-presidente da República foram denunciados por tentativa de abolição da democracia, tornaram-se réus e acabaram condenados e presos.  Em breve, Bolsonaro começará a cumprir a pena de 27 anos e três meses de prisão.

Por fim, Lula beneficiou-se do tarifaço de Trump e de sua descabida intervenção nos problemas do Brasil. Sua reação imediata foi enrolar-se na bandeira nacional e defender a soberania do país. A direita silenciou ou pendeu para o lado de Trump. Paga até aqui um preço elevado por seu tremendo erro.

Equiparar o crime organizado ao terrorismo é uma indicação de que a direita apelará de novo a Trump por socorro. Não lhe parece haver outro caminho. De um total de 9 eleições presidenciais desde o fim da ditadura militar, a direita ganhou 4 (1989,1994, 1998 e 2018) e perdeu 5 (2002, 2006, 2010, 2014 e 2022).

 

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