
O ódio como projeto de poder
O bolsonarismo trocou o projeto de país pela guerra cultural rasteira, onde o adversário é um inimigo a ser exterminado.

A polarização política no Brasil não nasceu ontem, é verdade. Mas nunca antes tínhamos chegado a esse nível de fervura.
O ódio, que antes era contido pelas margens da civilidade, aflorou de vez com a ascensão do bolsonarismo. E o que vimos neste Carnaval é apenas o reflexo de uma sociedade que trocou o argumento pela agressão.
Não se enganem: o que está em curso é uma tentativa deliberada de destruir o adversário. Para essa extrema direita, que carrega no DNA traços indisfarçáveis do fascismo, o “outro” não é alguém com quem se debate, mas um criminoso a ser exterminado.
Esse grupo, que se tornou gigantesco, não possui estratégia ou projeto de país. O que entregam é uma guerra cultural rasteira, um maniqueísmo barato do “bem contra o mal” que empurra pessoas antes normais para um estado de alucinação radicalizada.
A política brasileira desceu ao nível do deboche agressivo, e o preço que pagamos por esse ódio semeado ainda será cobrado por muito tempo.
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