O cinismo como método no Salão Verde

No vale-tudo eleitoral, a tropa bolsonarista tenta usar o rastro de Vorcaro como biombo para fustigar o Supremo e salvar o próprio futuro

atualizado

Compartilhar notícia

novas-thumbs_20260311_080530_0000
1 de 1 novas-thumbs_20260311_080530_0000 - Foto: null

O espetáculo protagonizado por deputados da tropa de choque bolsonarista no salão verde da Câmara não é novidade, mas ganha contornos de urgência em ano eleitoral.

A tentativa de transformar o escândalo do Banco Master em um trampolim para o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, é mais um ato do “baixo clero” que busca radicalizar o processo político.

O objetivo, no entanto, é menos a justiça e mais a sobrevivência: ao tentar degolar a cúpula do Judiciário, abre-se o caminho para revogar atos, contestar condenações do 8 de janeiro e, claro, buscar a descondenação de Jair Bolsonaro.

A estratégia é de um pragmatismo cínico.

Utiliza-se a suspeita – até agora baseada em fatos isolados e relações que ocorreram antes de o Master estar sob investigação – para pintar o STF como o grande vilão da República. Ignora-se, por conveniência, que a corrupção não se resume ao desvio de dinheiro, mas também ao atentado contra o Estado de Direito e a Constituição.

O foco exclusivo no Supremo serve como uma cortina de fumaça para esconder que o envolvimento direto com os negócios de Daniel Vorcaro atinge muito mais a direita do que a esquerda. O financiamento de campanhas e o uso de jatinhos pelo ex-presidente e seus aliados são fios dessa meada que a oposição tenta desesperadamente cortar.

Em Brasília, o clima é de campanha antecipada, e as CPIs tornaram-se o palco ideal para a distorção de fatos e a criação de narrativas eleitorais. A sanha por instalar comissões contra o crime organizado, contra o Master ou especificamente contra Moraes e Toffoli atropela o regimento e o próprio fato determinado que justifica tais investigações.

Tenta-se convocar familiares de ministros em inquéritos que, por lei, deveriam focar em facções criminosas. É o uso da máquina parlamentar para o constrangimento político, enquanto se clama por medidas extremas que beiram o delírio golpista, como o fim do próprio STF.

Apesar da pressão coordenada, o Supremo tem conseguido resistir aos trancos e barrancos. A instituição agora enfrenta um teste de estresse alimentado por vazamentos seletivos e barulho de plenário.

Enquanto o governo tenta sair da cilada armada pela oposição, as investigações da Polícia Federal seguem o seu curso, longe do carnaval das redes sociais. No jogo de cena do Congresso, a verdade costuma ser a primeira vítima; no mundo real, o rastro do dinheiro do Banco Master ainda tem muito a revelar sobre quem realmente estava sentado à mesa com o banqueiro.

 

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comBlog do Noblat

Você quer ficar por dentro da coluna Blog do Noblat e receber notificações em tempo real?