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Nas redes, ministro ameaça institutos e faz campanha para Bolsonaro

Anderson Torres, da Justiça, usa a mesma conta de twitter para defender o presidente e sua reeleição e para anunciar suas ações no cargo

atualizado 05/10/2022 9:40

Presidente Jair Bolsonaro entrega o novo passaporte ao ministro da justiça Anderson Torres, durante lançamento do novo documento no Palácio do Planalto Gustavo Moreno/Metrópoles

As redes sociais têm sido de uso controverso por autoridades públicas. O privado e o público estão misturados ali. Deixou de existir a liturgia do cargo e o que se pensa na vida privada e as predileções de forma geral.

O ministro da Justiça, Anderson Torres, é exemplo acabado desse comportamento.

Na mesma conta de twitter na qual ele manifesta apoio e tece elogios a Jair Bolsonaro, ele anuncia também as medidas a serem tomadas por sua gestão. Não tem como não confundir os “personagens” – o ministro e o cidadão – e nem separar o público do privado.

Na conta, ele se apresenta como “ministro de Estado da Justiça e da Segurança Pública”, e como delegado da Polícia Federal.  Ou seja, é a autoridade.

Trazendo como exemplo os últimos dias próximos e que cercaram a eleição. Torres intercala trecho de entrevista que concedeu na véspera da eleição, no dia 1, anunciando que as forças de segurança garantem tranquilidade aos eleitores para irem às ruas votar.

Nas postagens posteriores, porém, o ministro exibe mensagens de votos em Bolsonaro de personalidades do esporte, como os jogadores Falcão (do futebol de salão) e Rivaldo, além da atleta Maurren Maggi. Além de reprodução de matérias e vídeos – como do voto de Joaquim Barbosa que cita Bolsonaro na votação do mensalão – favoráveis a seu chefe do Palácio do Planalto.

E, ontem, Torres surpreendeu a noticiar, em tom de ameaças aos institutos de pesquisas, que estas empresas serão investigadas. Com direito a três giroflex – aquela luz vermelha que fica em cima de carro de polícia – antes da postagem com o anúncio de que encaminhou à Polícia Federal pedido de abertura de inquérito sobre a atuação dos institutos.

O ministro afirmou que recebeu essa demanda de “condutas que, em tese, caracterizam a prática de crimes perpetrados” pelos institutos. Mas não apontou nenhuma dessas condutas.

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